Sábado, 21 de março de 2026

Dono do Banco Master ficou três dias sem ouvir a voz humana antes de partir para delação premiada

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou por um período de isolamento rigoroso antes de tomar a decisão de avançar nas negociações para um acordo de delação premiada. De acordo com relatos, ele chegou a permanecer três dias consecutivos trancado em uma cela sem qualquer contato auditivo com outras pessoas, sem sequer ouvir a voz humana. Além disso, ficou 13 dias sem acesso ao chamado banho de sol.

Vorcaro havia sido transferido no dia 6 de março para a penitenciária federal de Brasília, uma unidade de segurança máxima. Ao ingressar no sistema, foi encaminhado para uma ala de isolamento, procedimento padrão aplicado a detentos recém-chegados, onde podem permanecer por até 20 dias. Nesse período inicial, as condições são mais restritivas, com limitação de circulação e de contato.

Durante os dias de semana, havia a possibilidade de sair da cela por até duas horas para o banho de sol. No entanto, no espaço destinado a ele, não havia incidência direta de luz solar, o que, na prática, o mantinha dentro da cela mesmo durante esse intervalo.

O contato com advogados era permitido diariamente, mas seguia regras específicas. Cada profissional podia permanecer por até uma hora com o cliente, sendo esse também o único momento em que Vorcaro tinha oportunidade de conversar com outra pessoa. Fora dessas ocasiões, o isolamento era mantido de forma integral.

Em determinado momento, por volta das 17 horas de uma sexta-feira, Vorcaro foi conduzido para uma cela de aproximadamente 9 metros quadrados. A partir desse instante, permaneceu no local sem sair até a manhã da segunda-feira seguinte. Esse intervalo, de cerca de 70 horas, foi marcado por isolamento total.

Durante esse período, segundo os relatos, não havia qualquer interação com outras pessoas. Nem mesmo os sons dos agentes penitenciários eram percebidos. A entrega das refeições ocorria de maneira silenciosa, sem contato visual ou verbal, o que intensificava a sensação de isolamento absoluto.

Quando voltou a ter contato com um de seus advogados, na segunda-feira, demonstrou abalo emocional ao relatar a experiência, afirmando: “É a primeira vez que ouço a voz humana”.

Informações divulgadas pelo portal de notícias UOL indicam ainda que, por três noites consecutivas, Vorcaro dormiu com a luz da cela permanentemente acesa. A administração do presídio justificou a medida como necessária para monitoramento contínuo, com o objetivo de prevenir qualquer tentativa de autoagressão.

Na quinta-feira (19), houve uma nova mudança em sua situação. Vorcaro foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. No novo local, passou a contar com condições que permitem maior interação com seus advogados, facilitando a organização de uma proposta de delação premiada, que poderá influenciar nos desdobramentos de sua situação jurídica. (Com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo)

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