Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de janeiro de 2026
Um intenso tiroteio foi registrado na noite desta segunda-feira (5) nas imediações do palácio presidencial Miraflores, no centro de Caracas, em um momento de profunda crise política e militar no país. Moradores disseram ouvir rajadas de tiros e observar luzes no céu, possivelmente drones, sobre a sede do governo, enquanto forças de segurança reagiam com disparos, segundo relatos e vídeos publicados em redes sociais.
A cena teria durado cerca de um minuto, com o céu iluminado pelos estampidos, e moradores relatando surpresa e tensão diante da situação.
Pelas imagens divulgadas, o Palácio de Miraflores aparece parcialmente às escuras, com projeções de tiros e movimentação de agentes de segurança nas proximidades, embora ainda não haja confirmação oficial de feridos ou de vítimas.
O episódio ocorre no contexto de uma escalada sem precedentes nas tensões entre Venezuela e Estados Unidos. No sábado (3), o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças militares dos EUA durante uma operação em Caracas, segundo declarações de autoridades americanas. O ex-mandatário foi transportado para os Estados Unidos e compareceu a uma audiência em um tribunal federal em Nova York, onde pleiteou inocência em acusações de narco-terrorismo, tráfico de drogas e conspiração, declarando-se “prisioneiro de guerra” e afirmando permanecer o legítimo líder venezuelano.
A ação dos EUA, que contou com um ataque militar direto e subsequente detenção do casal, gerou críticas em escala global, com aliados internacionais de Caracas e especialistas em direito internacional classificando a operação como uma violação da Carta da ONU e uma agressão à soberania venezuelana.
Internamente, a ex-vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada como presidente interina no edifício do Parlamento venezuelano, em uma cerimônia conduzida por seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. A posse, porém, é contestada por setores da oposição e por parte da comunidade internacional, que questiona sua legitimidade diante do quadro de intervenção externa e ausência do chefe de Estado deposto.
Além disso, o governo venezuelano decretou a busca e prisão de cidadãos acusados de colaborar com a operação americana, aumentando a repressão interna em meio à instabilidade.