Terça-feira, 12 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de maio de 2026
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e o deputado federal Ricardo Salles (Novo) tornaram pública nas redes sociais uma briga em torno dos nomes escolhidos pela direita para disputar as vagas do Senado por São Paulo. Na segunda-feira (11), em um vídeo publicado nas redes sociais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro acusou Salles de “calúnia” por acusá-lo de vender seu apoio a André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
“Ele começou partindo para a calúnia, dizendo que sou bandido, que sou corrupto, que estou aceitando dinheiro em troca do voto, de indicar para as pessoas votarem no André do Prado”, disse Eduardo em um vídeo no YouTube.
“Eu quero que você prove, Salles, que tem algum acordo financeiro entre eu e o André do Prado. Eu quero que você diga onde é que está sua suspeita. Eu quero que você prove o que está falando, porque você está falando que sou corrupto, você está falando que eu sou vendido”, afirmou.
Na última semana, André do Prado foi confirmado como o segundo nome da direita para disputar o Senado na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em uma entrevista ao podcast “IronTalks”, Salles afirmou que, segundo relatos, Eduardo teria aceitado receber até R$ 60 milhões para negociar a candidatura de André do Prado.
“O Tarcísio sabe o que o PL do Valdemar vai fazer se ele puser o cara [André do Prado] de vice. O cara não foi aceito para ser vice. Estão querendo dizer que o candidato ao Senado do centrão corrupto, que justamente por essa razão não pôde ser vice [de Tarcísio] para não contaminar o governo, passa a ter credencial para ser senador”, disse Salles.
“A troco de que o Valdemar e o Prado convenceram o pessoal? Lá na Câmara, já estão dizendo: ‘pagou não sei quantos milhões’. Espero que seja mentira. Se der um telefonema para quatro deputados federais, os quatro vão falar a mesma coisa: ‘recebeu’. Um fala R$ 20 milhões, outro fala R$ 60 milhões”, afirmou o deputado do Novo.
O pano de fundo da disputa é a definição das candidaturas no campo da direita. A chapa de Tarcísio terá André do Prado e Guilherme Derrite, do PP, que foi secretário de Segurança Pública de SP. Integrantes do grupo bolsonarista entendem que uma terceira candidatura de direita, caso Salles siga adiante, poderia dividir votos e beneficiar os aliados de Lula, que devem lançar dois nomes entre Simone Tebet (PSB), Márcio França (PSB) e Marina Silva (Rede).
Salles tem dado indicações de que não vai desistir. “Para o André do Prado, pupilo do Valdemar, não abro mão de jeito nenhum. Porque ele é Centrão. Nunca foi, jamais será de direita. Candidato de direita tem que ter história na direita. E ele não tem nenhuma”, disse ele na semana passada, em suas redes sociais.
O deputado do Novo afirmou que só abrirá mão da sua candidatura caso o escolhido para a segunda vaga seja o vice-prefeito da capital paulista, Ricardo Mello Araújo (PL).
“Vocês retiram a candidatura do André do Prado e colocam o Mello Araújo. Se vocês colocarem ele, eu abro mão da minha candidatura. E fica só o Derrite e ele. Vamos ver se vocês querem realmente prestigiar a direita ou se é jogada do Valdemar”, afirmou.
No vídeo que postou nesta segunda, Eduardo Bolsonaro afirmou que a decisão de apoiar André do Prado foi tomada sem acordos com ninguém. O ex-deputado, que está nos Estados Unidos há mais de um ano e perdeu o mandato, afirmou que deve ser primeiro suplente na chapa. (Com informações do portal g1)