Terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de fevereiro de 2026
O lançamento da 26ª Expodireto Cotrijal, realizado em Porto Alegre, não foi apenas a abertura oficial de uma das maiores feiras do agronegócio da América Latina. Foi também o palco escolhido pelo governador Eduardo Leite para colocar em pauta uma questão estrutural: como enfrentar os impactos das estiagens que, ano após ano, corroem a produtividade do Rio Grande do Sul e comprometem o futuro do setor agropecuário.
Em sua fala, Leite anunciou que o Estado apresentará à União um projeto de prorrogação, por mais três anos, do pagamento da dívida com o governo federal. A medida, segundo ele, pode liberar até R$ 15 bilhões para investimentos diretos em irrigação e reservação de água. “Estamos falando de uma solução estrutural, que protege o produtor e fortalece a economia do Rio Grande do Sul”, afirmou.
O governador destacou que o Estado já vem avançando de forma consistente na ampliação da irrigação como estratégia estruturante. Atualmente, são R$ 112,5 milhões aplicados em projetos de reservação de água e R$ 66,5 milhões destinados diretamente à irrigação, beneficiando 1.406 produtores e ampliando em mais de 26 mil hectares a área irrigada. Além disso, o governo investe R$ 58 milhões no Fundec para enfrentamento da estiagem e R$ 180 milhões no Programa Milho 100%, voltado ao fortalecimento da base produtiva.
Leite aproveitou o momento para ressaltar a chamada “virada fiscal” promovida pelo Estado nos últimos anos. O Rio Grande do Sul passou de 2% para cerca de 10% da receita corrente líquida em investimentos, com salto histórico em infraestrutura. Apenas em rodovias, os aportes anuais cresceram de cerca de R$ 150 milhões para R$ 1,5 bilhão, fortalecendo o escoamento da produção e a integração regional.
O governador fez questão de comparar o tratamento dado pela União às enchentes — que permitiram suspensão de dívidas por três anos — com o que deveria ser feito em relação às estiagens. Para ele, os efeitos da seca são ainda mais devastadores para o PIB gaúcho, exigindo medidas equivalentes. “Não se trata apenas de aliviar o caixa do Estado, mas de garantir que possamos investir em soluções definitivas para proteger quem produz”, reforçou.
A proposta de prorrogação da dívida será apresentada como demanda oficial à União, articulando apoio político e técnico para transformar recursos que hoje saem do caixa em investimentos estratégicos. Paralelamente, o Estado pressiona por medidas de securitização da dívida dos produtores rurais, permitindo refinanciamento e condições de crédito para que agricultores possam investir em irrigação e modernização de suas lavouras.
O lançamento da Expodireto Cotrijal, portanto, foi mais do que a abertura de uma feira. Foi a oportunidade de colocar em pauta um projeto de futuro: transformar vulnerabilidade em oportunidade, construir resiliência climática e assegurar que o agronegócio gaúcho siga sendo motor da economia e referência nacional em inovação e sustentabilidade. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)