Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de agosto de 2026
O perfil do eleitorado brasileiro que irá às urnas nas eleições de 2026 revela uma mudança demográfica importante: enquanto a participação dos brasileiros com 60 anos ou mais cresce, o número de jovens entre 16 e 24 anos aptos a votar diminui. O movimento acompanha o envelhecimento da população brasileira e altera a composição do eleitorado para o pleito deste ano.
Levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, elaborado com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o número de eleitores com 60 anos ou mais passou de 20,8 milhões, em 2010, para 36,2 milhões em 2026. O crescimento foi de 74% em 16 anos, enquanto o eleitorado total brasileiro aumentou 15% no mesmo período.
Com o avanço, os brasileiros nessa faixa etária passaram a representar 23,2% do eleitorado nacional, o equivalente a quase um em cada quatro eleitores. Já os jovens de 16 a 24 anos correspondem a 11,9% dos votantes. A diferença entre os dois grupos é praticamente de duas vezes.
Em números absolutos, o movimento entre os mais jovens também chama atenção. Segundo o levantamento da Nexus, o contingente de brasileiros de 16 a 24 anos aptos a votar caiu de 24,7 milhões, em 2010, para 19,2 milhões em 2026. São 5,5 milhões de eleitores a menos nessa faixa etária, uma redução de aproximadamente 22%.
A transformação tem relação direta com a mudança da estrutura etária da população brasileira. Ao longo dos últimos anos, o país passou a apresentar uma proporção maior de pessoas mais velhas, enquanto a participação relativa das faixas mais jovens diminuiu.
O levantamento também indica que o eleitorado mais velho não apenas cresceu, mas passou a apresentar participação relevante nas eleições. Nas eleições de 2022, 21,6 milhões de eleitores com 60 anos ou mais compareceram ao primeiro turno, o equivalente a 65,5% dos aptos. Entre os brasileiros de 60 a 69 anos, faixa em que o voto ainda é obrigatório, o comparecimento chegou a 85,7%, acima da média geral de 79,1%.
Outro dado relevante é a evolução da abstenção. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, a taxa caiu de 37,1% em 2014 para 34,5% em 2022. No conjunto do eleitorado brasileiro, ocorreu o movimento contrário: a abstenção passou de 19,4% para 20,9% no mesmo intervalo. Entre os maiores de 70 anos, grupo para o qual o voto é facultativo, a abstenção também diminuiu, de 63,6% em 2014 para 58,9% em 2022.
A distribuição regional reforça a diferença. Sul e Sudeste concentram as maiores proporções de eleitores com 60 anos ou mais. O Rio Grande do Sul aparece entre os Estados com maior peso desse grupo, com 29,3% do eleitorado, segundo o levantamento. Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo também apresentam percentuais elevados.
O cenário coloca as demandas da população mais velha em posição de destaque na disputa eleitoral de 2026. Saúde, aposentadoria, segurança, renda, custo de vida e políticas de atendimento à população idosa estão entre os temas que podem ganhar maior relevância diante do crescimento desse segmento nas urnas.
Ao mesmo tempo, a queda no número de jovens aptos a votar representa uma mudança na dimensão eleitoral desse público. Embora os eleitores de 16 e 17 anos não sejam obrigados a votar, a faixa jovem tradicionalmente é observada pelos partidos como espaço para renovação política e formação de novas bases eleitorais.