Segunda-feira, 13 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de abril de 2026
O 8 de Janeiro, data dos ataques aos prédios dos Três Poderes que culminaram na condenação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliados e apoiadores dele, virou plataforma eleitoral para uma série de pré-candidatos que têm a anistia dos presos e a anulação do processo como principal bandeira.
De familiares dos condenados a advogados da causa, os postulantes têm dado uma centralidade ao episódio que nem mesmo a pré-campanha à Presidência da República do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sucessor do pai, tem adotado.
Uma delas é Luiza Cunha, conhecida como “Filha do Clezão”, apelido de Clériston Pereira da Cunha, que morreu em novembro de 2023 no Complexo Penitenciário da Papuda, e desde então virou uma espécie de mártir para os bolsonaristas que defendem a anistia aos condenados.
Ela se filiou ao PL de Goiás, apadrinhada pelo senador Wilder Morais, para ser pré-candidata a deputada federal. Ela descreve o 8 de Janeiro como “uma manifestação pacífica, movida pelo amor à pátria e pelo desejo de justiça”.
Carolina Siebra, advogada da Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro (Asfav), vai disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo Partido Novo do Ceará. A associação é presidida por Gabriela Ritter, que se considera “filha de preso político”.
A advogada é apadrinhada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), para quem Carolina deve entrar na política pela coragem para enfrentar o que chamam de “intocáveis”, em referência aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para além do 8 de Janeiro, ela afirma querer combater a violência doméstica e o desaparecimento de crianças.
“A anistia é um dos pontos mais dessa luta. Esses processos deveriam ser todos anulados. Eu defendo mudanças na forma como esses ministros (do STF) são colocados lá e em como a nossa legislação abre brechas para abuso de poder”, diz ela.
Já Cláudia Rodrigues, pré-candidata a deputada federal pelo Novo em São Paulo, deve pautar sua campanha pelo vínculo com a irmã, Débora Rodrigues, conhecida como “Débora do batom”.
Débora foi presa pelos ataques na Praça dos Três Poderes, hoje cumpre pena em casa e ficou conhecida por pichar a Estátua da Justiça com um batom vermelho. Ao lado de Clezão, ela acabou se tornando símbolo do processo no STF que os bolsonaristas defendem ser uma perseguição.
Técnica de enfermagem de 45 anos e mãe atípica, Cláudia diz que acusar os manifestantes do 8 de Janeiro de tentativa de golpe é “ignorância” e que “não existe golpe de Estado sem as Forças Armadas do seu lado”. Para ela, os bolsonaristas presos foram usados de “bode expiatório e devem ser soltos”.
“Não há pauta mais importante do que a anistia. Não acho que essa questão deva ser resolvida pela dosimetria. Mas ainda assim vamos lutar para que esse processo do 8 de Janeiro seja revisto e anulado. Essa é minha pauta prioritária”, afirma.
Cláudia faz referência ao projeto de lei da Dosimetria, solução encontrada por congressistas para reduzir a pena dos condenados no 8 de Janeiro, sem perdão completo aos crimes. O texto foi aprovado pelo Congresso e vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O veto deve ser apreciado pelos parlamentares no dia 30 deste mês. A segunda pauta de campanha dela deve ser os direitos para crianças com necessidades especiais.
Marcos Vanucci (PL-SP), comunicador preso por 70 dias na Papuda pelo 8 de Janeiro, e a vereadora Gislaine Alves Yamashita (PL-MT), que advogou para presos daquele episódio, são outros pré-candidatos que devem levar a causa para dentro do Congresso se eleitos.
Os milhares de manifestantes que marcharam em 8 de janeiro de 2023 do acampamento em frente ao Quartel-General do Exército em direção à Praça dos Três Poderes protestavam contra a eleição de Lula e pediam intervenção das Forças Armadas no resultado eleitoral.
O julgamento e a condenação dos envolvidos pelo STF foram um marco na história da democracia brasileira, em meio a tomadas de poder pela força nos 136 anos da República. Para os bolsonaristas, tratou-se da consumação de uma perseguição judicial com violações como o cerceamento do direito de defesa, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, tido como algoz dos conservadores.
Bolsonaro e a cúpula de seu governo, incluindo generais de quatro estrelas como Walter Braga Netto e Augusto Heleno, foram condenados por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e outros crimes. A pena do ex-presidente é de 27 anos e três meses de prisão. Com informações do portal Estadão.