Sábado, 07 de fevereiro de 2026

Em depoimento, jovem afirma que ministro do Superior Tribunal de Justiça “passou a mão em suas nádegas” no mar

A jovem que denuncia por assédio sexual o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), afirmou em depoimento à Polícia Civil de São Paulo que “pôde sentir o pênis de Marco” em duas investidas atribuídas ao magistrado, que ainda teria passado a mão nas nádegas dela. O crime teria ocorrido em 9 de janeiro, em Balneário Camburiú (SC), onde a vítima de 18 anos, acompanhada pelos pais, estava há dois dias hospedada em uma casa do ministro, nas proximidades da praia do Estaleiro. Ela prestou um segundo depoimento, nessa quinta-feira (5) à Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Afastado de suas funções, após apresentar um atestado médico de 10 dias, Marco Buzzi emitiu uma nota, por meio de sua defesa, na qual nega o crime. Ele acrescenta que espera o momento adequado para apresentar as provas contra as acusações.

A jovem de 18 anos afirmou à Polícia Civil paulista que considerava Marco Buzzi como um avô e confidente, pela convivência que teve, desde pequena, com o magistrado – amigo dos pais da vítima, cuja mãe é uma conhecida advogada ativista nos Tribunais Superiores. O magistrado teria, inclusive, dado conselhos à garota, antes de ela optar pelo ingresso na faculdade de Direito.

No dia 7 de janeiro, a convite do ministro e da esposa dele, a jovem foi acompanhada da mãe à casa do magistrado, na praia do Estaleiro, em Balneário Camburiú (SC) — o pai dela só se juntou à família no dia 9 de janeiro. No dia seguinte, a vítima afirmou, em depoimento, que foi à praia com Marco e que ele teria questionado se ela era lésbica e “se não sentiria atração por homens, já que possui uma namorada”. A vítima, então, explicou que é bissexual.

Ela vestia apenas um biquíni e sentou-se em uma das cadeiras que fica em frente ao condomínio, quando chegaram no local. Em seguida, relatou, verificou umas mensagens de seu estágio no celular até que o ministro a convidou para entrar no mar.

A estagiária estranhou quando ele sugeriu para que fossem a uma distância de 400 metros de onde estava o guarda-sol, alegando que naquele ponto o mar estaria mais calmo. Porém, a vítima afirmou que a água estava calma perto de onde já estavam. Ela aceitou o convite e acrescentou à polícia que o ponto para o qual foram “não era de visibilidade das pessoas que estariam no guarda-sol” próximo ao condomínio.

A estudante disse que Marco comentou estar sentindo frio e apontou para duas pessoas que também estavam dentro do mar, um pouco distantes. Em seguida, Buzzi teria afirmado que “deve ser por isso que eles estão abraçados”.

“Nesse momento, Marco puxou a declarante pelo braço, a virou de costas para si e pressionou o quadril e as nádegas da declarante contra seu pênis e afirmou que a achava ‘muito bonita’”, diz trecho do depoimento. A vítima tentou se soltar, mas o ministro a teria puxado novamente, passando a mão nas nádegas dela, ainda segundo o relato dela. A jovem diz ter sentido o pênis de Marco “em ambas as ocasiões”. Sem sucesso, ele ainda teria tentado puxá-las outras vezes.

Em seguida, a vítima e o ministro saíram do mar e, ao saber que a mãe dela estava por perto, Buzzi informou que iria caminhar até o final da praia.

Ao serem informados sobre o ocorrido, os pais da jovem, juntamente com ela, saíram da casa do ministro em Balneário Camboriú e foram para Curitiba (PR). Em seguida, viajaram para São Paulo, onde a denúncia foi formalizada.

Desde então, a vítima afirmou não conseguir dormir, sofrendo “pesadelos constantes” sobre o abuso e que é acompanhada por uma psicóloga e uma psiquiatra.

O advogado Daniel Bialski, que representa a vítima e a família dela, afirmou aguardar rigor nas apurações e no respectivo desfecho do caso.

“É inaceitável retrocesso civilizacional a tentativa de julgar e condenar uma pessoa antes mesmo do início formal de uma investigação.

Vazamentos instantâneos de informações sigilosas sobre fatos não verificados é um truque sórdido.

Tribunais, com magistrados experientes e ritos depurados ao longo de séculos, não podem ser substituídos por “juízes” e opiniões inflamadas e quase sempre anônimas no noticiário.

Não é demais pedir serenidade e respeito ao devido processo legal.

A defesa aguarda o momento oportuno para esclarecer os fatos e apresentar suas provas.

Joao Costa, João Pedro Mello e Maria Fernanda Saad, advogados do ministro Marco Buzzi”.

(Com informações do portal Metrópoles)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Lula diz que jantar com deputados foi para agradecer “por todo apoio” e “empenho” na aprovação de projetos
Novo líder do PT defende rever autonomia do Banco Central e diz que falta de controle “deu no Banco Master”
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play