Sábado, 14 de março de 2026

Em estado grave, Bolsonaro soma nove cirurgias e internações desde 2018

Desde o atentado sofrido em setembro de 2018, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou por um longo e complexo histórico de saúde, marcado por nove cirurgias e dezenas de internações.

A maioria dessas complicações é decorrente de aderências intestinais, um efeito colateral comum de cirurgias abdominais múltiplas, em que os órgãos acabam “grudando”, podendo bloquear a passagem intestinal. Neste momento, o ex-presidente está internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) tratando uma broncopneumonia bacteriana no Hospital DF Star.

Segundo a equipe médica, o caso é considerado grave e Bolsonaro corre risco de vida. O histórico de cirurgias e complicações decorrentes da facada aumenta a vulnerabilidade a quadros infecciosos e outras complicações clínicas.

Confira a linha do tempo das principais intercorrências médicas do ex-presidente após o atentado:

2018

A primeira cirurgia foi realizada no próprio dia do ataque, em 6 de setembro de 2018. Bolsonaro recebeu atendimento em Juiz de Fora (MG) para reparar lesões nos intestinos delgado e grosso.

Dias depois, em 12 de setembro, precisou passar por uma nova cirurgia para desobstrução intestinal, desta vez em São Paulo.

2019

Em 28 de janeiro, Bolsonaro retirou a bolsa de colostomia utilizada durante a recuperação da primeira cirurgia. Quase um ano após o atentado, precisou realizar nova intervenção para tratar uma hérnia na região da cicatriz abdominal. Também passou por procedimento para tratar cálculo renal.

2020

Em janeiro, foi internado no Hospital das Forças Armadas, em Brasília. Na ocasião, realizou exames de imagem para avaliar a necessidade de reposicionar uma tela cirúrgica implantada em operações anteriores.

A tela é utilizada para reforçar a parede abdominal e corrigir hérnias e cicatrizes decorrentes das cirurgias. Em setembro, realizou cirurgia no Hospital Israelita Albert Einstein para retirada de um cálculo na bexiga.

2021

Em julho, o ex-presidente teve uma internação de urgência por obstrução intestinal após dias de soluços. Na época, cogitou-se cirurgia, mas o quadro foi revertido com tratamento clínico e uso de sonda nasogástrica.

2022

Em janeiro, houve nova internação por obstrução intestinal após o consumo de um camarão mal mastigado, evidenciando a sensibilidade do sistema digestivo.

2023

Em setembro, Bolsonaro realizou três procedimentos no mesmo dia no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo:

correção de hérnia de hiato
cirurgia de desvio de septo
endoscopia digestiva.

2024

Em maio, foi internado para tratar erisipela na perna esquerda e dores abdominais. O quadro exigiu observação hospitalar para evitar evolução para infecção sistêmica.

2025

11 de abril: Bolsonaro passou mal durante um evento em Santa Cruz, com fortes dores abdominais e náuseas.

13 de abril: Foi submetido a uma laparotomia exploradora, cirurgia de cerca de 12 horas para desobstrução total do intestino e reconstrução da parede abdominal — o procedimento mais complexo desde a facada.

16 de agosto: Já cumprindo prisão domiciliar após condenação relacionada aos atos de 8 de janeiro, teve crise de soluços e foi levado ao hospital para exames de imagem.

14 de setembro: Passou por retirada de oito lesões de pele no tronco e braço. Exames detectaram uma pneumonia residual por broncoaspiração.

16 de setembro: Nova internação de urgência por pressão baixa, soluços persistentes e vômitos.

25 a 29 de dezembro: Já sob custódia, realizou cirurgias para correção de hérnia inguinal bilateral.

2026

Durante o período no complexo penitenciário conhecido como “Papudinha”, Bolsonaro registrou 144 atendimentos médicos em apenas 39 dias, principalmente por refluxo severo e dores abdominais. Em 13 de março ocorreu a complicação mais grave desde então: o ex-presidente foi internado na UTI com broncopneumonia bacteriana bilateral.

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