Terça-feira, 05 de julho de 2022

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Em meio a exercícios militares da China, presidentes americano e chinês se comprometem a respeitar acordo sobre status da ilha de Taiwan

Em meio ao aumento da tensão em Taiwan, após atividades militares da China no Pacífico, o presidente dos EUA, Joe Biden, afirmou que ele e seu colega chinês, Xi Jinping, conversaram por telefone. No diálogo, Biden prometeu defender os taiwaneses. Segundo ele, ambos concordaram em cumprir o “acordo de Taiwan”.

O americano se referira à política de Washington que reconhece oficialmente Pequim, em vez de Taipé, e à Lei de Relações com Taiwan, que deixa claro que a decisão de manter laços diplomáticos com a China, em vez de Taiwan, depende da expectativa de que o futuro da ilha será determinado por meios pacíficos. “Falei com Xi sobre Taiwan. Concordamos em respeitar o acordo de Taiwan”, declarou Biden.

Pelo acordo, Washington tem de reconhecer a posição da China de que a ilha pertence a ela e existe apenas “uma China”, impedindo um posicionamento sobre a soberania do território. Os americanos, no entanto, se comprometem a fornecer os meios de defesa aos taiwaneses. Há décadas, a questão da ilha, para onde fugiram os nacionalistas chineses do Kuomintang, após perderem para os comunistas de Mao Tsé-tung, em 1949, afeta as relações entre as duas potências.

Após a declaração de Biden, o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan disse que buscou esclarecimentos dos EUA sobre os comentários e recebeu garantias de que a política americana em relação à ilha não mudou, que o compromisso era “sólido como uma rocha” e a Casa Branca continuará a ajudar Taiwan a manter suas defesas.

“Enfrentando as ameaças militares, diplomáticas e econômicas do governo chinês, Taiwan e os EUA sempre mantiveram canais de comunicação próximos e tranquilos”, disse a chancelaria taiwanesa, em comunicado.

A escalada de tensões na região foi classificada como “a situação mais sombria em 40 anos” pelo ministro da Defesa de Taiwan, Chiu Kuo Cheng, durante discurso ao Parlamento. Durante entrevista ao China Times, Chiu disse que a China já é capaz, mas estará completamente preparada para invadir a ilha em três anos.

“Em 2025, a China reduzirá o custo e o desgaste ao mínimo. Tem capacidade agora, mas não vai começar uma guerra facilmente, tendo de levar muitas outras coisas em consideração”, disse.

As pressões sobre Taiwan ocorrem no momento em que as relações entre China e EUA (e seus aliados da Otan e no Pacífico) vêm se deteriorando rapidamente, com as movimentações americanas no Indo-pacífico, disputas comerciais e as condenações às violações dos direitos humanos contra os uigures na Província de Xinjiang.

Após atividades militares americanas com o Japão e o anúncio da parceria, com o Reino Unido, para fornecer submarinos nucleares à Austrália, os chineses realizaram atividades militares com bombardeiros H-6 com capacidade nuclear e cerca de 150 aeronaves sobrevoando o setor sul do estreito que divide China e Taiwan, dentro da Zona de Identificação de Defesa Aérea – oficialmente espaço aéreo internacional, mas reivindicado por Taipé como área de segurança nacional.

Desde o início do ano, o número de incursões chinesas já atingiu o recorde de 600. O “menor descuido” ou “erro de cálculo” pode desencadear uma “crise” no Estreito de Taiwan, advertiu Chiu. Embora Pequim não tenha dado uma explicação oficial, o grupo estatal China Media Group justificou as missões como uma “contramedida necessária” ao que chamou de “conluio” entre EUA e Taiwan.

A ilha vive sob constante ameaça de invasão por parte de Pequim, que aumentou a pressão militar, diplomática e econômica sobre Taiwan desde 2016, quando a atual presidente Tsai Ing Wen assumiu o poder.

A líder, que considera a ilha uma nação soberana, e não parte da China, pediu ontem que Pequim “se contenha” para evitar um “conflito por erros de cálculo ou acidentes”. “As ações (da China) prejudicam seriamente a paz e a estabilidade na região”, disse Tsai.

Atualmente, China e Taiwan mantêm extensos laços comerciais e investimentos, mas nenhuma relação oficial. O impasse envolvendo os dois países vem da época da Revolução Chinesa. Enquanto Pequim reivindica a ilha como parte de seu território – que deve ser tomado à força, se necessário – Taipé defende a ideia de um país independente, e diz que defenderá sua liberdade e democracia, culpando a China pelas tensões cada vez maiores.

Analistas de defesa observaram que as missões não invadiram o espaço aéreo de Taiwan e podem ter sido uma maneira de a China impulsionar o nacionalismo doméstico e, ao mesmo tempo, sinalizar determinação. No entanto, a escala dramática das incursões aumenta a pressão sobre a Força Aérea de Taiwan.

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