Terça-feira, 17 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de março de 2026
Uma das atribuições mais complexas da Polícia Penal, o transporte de detentos gaúchos fora dos muros de presídios totalizou 80.626 escoltas no ano passado, 5,5% a mais que em 2024. A estatística abrange transferências de unidades (inclusive entre diferentes Estados), atendimentos de saúde, audiências, júris e deslocamentos para instalação de tornozeleira eletrônica.
“Somente as operações da Divisão de Segurança e Escolta (DSE) somaram mais de 1,2 milhão de quilômetros rodados ao longo de 12 meses, dentro ou fora do Rio Grande do Sul”, ressalta a Secretaria dos Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS).
Trata-se de uma missão que exige planejamento técnico, protocolos rigorosos e atuação especializada. Nas movimentações de curta distância no interior do Estado (83% do total), principalmente para atendimentos de saúde e audiências no Judiciário, a execução cabe às equipes das próprias unidades prisionais.
A Divisão de Segurança e Escolta (DSE) da Polícia Penal, setor vinculado ao Departamento de Segurança e Execução Penal (DSEP), é responsável pelas movimentações de maior complexidade. Na lista estão transferências de custodiados entre casas prisionais, audiências e júris em comarcas fora do município, recambiamentos interestaduais e escoltas classificadas como de risco ou alto risco.
Os recambiamentos são as transferências de pessoas privadas de liberdade entre estabelecimentos prisionais de diferentes unidades da federação. No último ano, foram registradas 418 operações: 238 deslocamentos para trazer pessoas custodiadas ao Estado e 180 conduções realizadas pela Polícia Penal gaúcha para outras unidades da federação, em articulação com os órgãos de segurança locais. Santa Catarina, Paraná e São Paulo são os destinos mais frequentes.
Escoltas também podem ser realizadas por via aérea, a depender da necessidade e da distância até a unidade federativa de destino. Essa situação ocorreu 47 vezes em 2025, com Amapá, Pará e Rondônia sendo as rotas mais longas.
Risco
A atuação da Polícia Penal nas escoltas é baseada em critérios técnicos definidos pelos setores de inteligência, que classificam o nível de risco de cada operação. Segundo dados do Departamento de Inteligência Penitenciária, a DSE e o Grupo de Ações Especiais (Gaes) executaram 240 escoltas consideradas de risco e 48 de alto risco em 2025.
“A movimentação de pessoas privadas de liberdade é uma atividade rotineira dentro do sistema prisional, que exige técnica, inteligência, profissionalismo e integração. A qualificação permanente dos servidores para procedimentos com diferentes níveis de complexidade faz parte do processo de evolução da instituição”, comenta o superintendente, Sergio Dalcol.
Os policiais penais envolvidos na operacionalização e na segurança dessas movimentações recebem treinamento específico da Academia da Polícia Penal no Curso de Escolta Profissional de Alto Risco (Cepar). A formação envolve tópicos como posicionamento na viatura, embarque e desembarque, formação de comboio, ultrapassagens, manobras, direção tática evasiva, dentre outros, capacitando os servidores para atuar na proteção contra ameaças externas e tentativas de fuga. A primeira edição, com 34 participantes, foi concluída em julho de 2025.
(Marcello Campos)