Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de fevereiro de 2026
Na próxima semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará visitas de Estado à Índia e à Coreia do Sul. Na viagem, Lula vai tratar da regulação da IA (inteligência artificial) e da exploração de minerais críticos.
O presidente brasileiro deve deixar o país na próxima quarta-feira (17). Ele começará a viagem pela Ásia na Índia, a convite do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Segundo o Ministério das Relações Exteriores brasileiro, o Itamaraty, há a expectativa de um memorando de entendimento sobre terras raras em parceria com o país.
A ideia, de iniciativa do Ministério de Minas e Energia, seguirá a linha de que a política brasileira está aberta à cooperação internacional, mas de uma forma que agregue valor à produção nacional.
Conforme Lula vem defendido ao longo de seu mandato, o objetivo do governo brasileiro é não apenas exportar o minério como uma commodity, mas processá-lo. O Itamaraty afirma que o acordo ainda está em deliberação e que possibilitará especificações posteriores e que fomentem novas oportunidades de cooperação.
O tema também será discutido nos fóruns empresariais organizados pela Apex-Brasil tanto na Índia quanto na Coreia. O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo dos minerais críticos, considerados essenciais para a produção de veículos elétricos e de armas modernas. Assim, a posição que vem sendo defendida pelo governo brasileiro é a do multilateralismo, ou seja, não fechar acordos exclusivos com nenhuma nação.
Regulação da Inteligência Artificial
Na Índia, onde Lula passará mais dias, a comitiva brasileira também participará Cúpula de Inteligência Artificial, que será realizada em 19 e 20 de fevereiro. No evento, serão discutidos temas como a democratização de recursos para o uso de IA e o uso da tecnologia para o bem-estar social e o desenvolvimento econômico.
É esperada uma declaração final por parte da Índia, com o lançamento de uma rede internacional de IA para instituições científicas e um guia para o avanço da mesma.
O Brasil irá copresidir, juntamente com o Japão, um Grupo de Trabalho sobre IA segura confiável. O grupo deve entregar duas propostas: uma plataforma colaborativa com repositório de iniciativas e base de dados que contribuam para aumentar a confiança em sistemas de IA; e uma nota de orientação sobre a governança da ferramenta.
O presidente Lula deve ter reuniões bilaterais com outros países durante a realização da cúpula e mencionar a perspectiva do governo brasileiro sobre o uso da inteligência artificial.
A posição do chefe do Executivo brasileiro — já expressada reiteradas vezes — é de que a IA não pode ser um privilégio de poucos países. Em diferentes ocasiões, Lula defendeu a criação de uma IA para o Sul Global e a de uma ferramenta brasileira.