Quarta-feira, 01 de abril de 2026

“Empregado” de Daniel Vorcaro no Banco Central abriu firma voltada a crianças carentes para receber dinheiro do Master

O ex-chefe de Supervisão do Banco Central (BC) Belline Santana abriu uma empresa destinada à educação financeira de crianças carentes para receber dinheiro do Banco Master, conforme investigação aberta pela autoridade monetária.

O BC começou a apurar, no ano passado, o vínculo entre Belline e o empresário Leonardo Palhares, apontado pela Polícia Federal como operador do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e concluiu que houve indícios de enriquecimento ilícito do ex-chefe de supervisão.

Procurado por meio do advogado, Belline Santana não se manifestou.

O servidor do Banco Central, afastado em janeiro deste ano por conta de uma investigação própria da autoridade monetária, foi alvo de uma operação da PF em março e classificado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), como uma espécie de “empregado” e “consultor” de Vorcaro no BC.

Segundo a PF, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC, foram cooptados por Vorcaro e receberam “mesada” para trabalhar como consultores informais do banco. O Estadão não conseguiu contato com a defesa de Souza.

Na semana passada, a Controladoria-Geral da União (CGU) abriu processos administrativos contra ambos para avaliar se eles serão expulsos do serviço público.

Empresa

Registrada em um endereço residencial de São Paulo, a Inspiração Projetos Educacionais foi criada por Belline para oferecer serviço de capacitação de crianças e jovens carentes. A empresa foi oficialmente aberta em julho de 2025, meses antes de o BC decretar a liquidação do Master, em novembro.

A empresa nasceu após Belline ter recebido outros pagamentos de Palhares. Em depoimento à sindicância do BC, Bellini relatou que Leonardo Palhares ofereceu a ele R$ 2 milhões para prestar os serviços. O empresário chegou a fazer dois pagamentos de R$ 500 mil em 2023.

Depois, o então supervisor do Banco Central relatou que ficou incomodado e mandou suspender os pagamentos, que foram retomados posteriormente por meio da nova firma. No depoimento, Belline disse que desconhecia a relação de Palhares com o Banco Master e que os serviços contratados foram prestados.

Segundo a Polícia Federal, Belline foi um dos integrantes do órgão regulador que recebeu dinheiro de Vorcaro para ajudá-lo a driblar a fiscalização do próprio Banco Central e, ainda, retardou o envio de documentos à Polícia Federal que serviriam para a deflagração da primeira prisão do dono do Master.

A Inspiração Projetos Educacionais é uma microempresa com R$ 5 mil de capital social – o investimento em dinheiro ou bens feito na abertura de uma empresa. O endereço é o mesmo declarado por Belline Santana como o de sua residência, na Vila Mariana, em São Paulo, e o telefone informado à Receita Federal é genérico, com uma sequência de noves, e não existe: “(11) 9999-9999”.

As atividades econômicas declaradas são “treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial” e “preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo”.

A atuação de Leonardo Palhares em favor de supostos esquemas de Daniel Vorcaro é descrita na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal no início deste mês.

Segundo as investigações, Palhares é o administrador da Varajo Consultoria Empresarial. Essa empresa teria sido usada para pagamento das propinas a servidores do Banco Central.

Ele também é diretor da Super Empreendimentos, usada por Vorcaro para financiar atos criminosos do grupo e lavar dinheiro. Além de Belline, o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza também foi alvo da PF. Os dois seriam “consultores informais” de Vorcaro dentro do Banco Central. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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