Domingo, 01 de fevereiro de 2026

Emprego com carteira assinada vive pior dezembro desde a pandemia

O mercado de trabalho brasileiro fechou 618.164 postos de trabalho em dezembro, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A variação do mês foi de -1,26%, o que, segundo a pasta, é compatível com o padrão histórico do Novo Caged, cuja média de dezembro em 2023 e 2024 foi de -1,07%. É o pior mês de dezembro desde a pandemia, em 2020.

Em 2025, o saldo é positivo em 1.279.498 carteiras assinadas. Esse foi o pior saldo de empregos formais registrados no ano da série histórica atual, iniciada em 2020, ano da pandemia, quando foram fechados 189.393 postos de trabalho.

O resultado do ano passado decorreu de 26.599.777 admissões e 25.320.279 demissões. O estoque de empregados celetistas passou de 47.194.850 vínculos para 48.474.348.

O mercado financeiro esperava um novo avanço no emprego no ano, e o resultado veio abaixo da mediana das estimativas de analistas, que indicava abertura de 1,4 milhão de postos de trabalho. As expectativas variavam de 1.315.146 a 1.895.130.

O saldo de dezembro é resultado de 1.523.309 admissões e 2.141.473 desligamentos. Em novembro, o saldo havia sido positivo em 84.109 vagas, já incorporando os ajustes na série.

Empreendedorismo

Economista da 4intelligence, Bruno Imaizumi lembra, porém, que a menor criação de empregos formais vem sendo acompanhada de aumento dos empregos por conta própria, além das contratações em serviços públicos. Os trabalhadores por conta própria, muitos ligados às plataformas digitais, não são capturados pelo Caged, explica, mas podem ajudar a manter em nível relativamente baixo em 2026 a taxa de desocupação, medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Os juros e a expectativa de redução de atividade, observa, tendem a afetar antes os empregos com carteira de trabalho assinada.

Números por setor

Todos os cinco grandes agrupamentos de atividades econômicas registraram saldos negativos em dezembro. O setor de serviços fechou 280.810 vagas; a indústria fechou 135.087; a construção civil fechou 104.077; o comércio fechou 54.355; e a agropecuária fechou 43.836 postos.

No acumulado do ano, todos os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos. O maior crescimento do emprego formal ocorreu no setor de serviços, com saldo de 758.355, seguido pelo Comércio, com 247.097 postos. Indústria teve saldo de 144.319 empregos e Construção registrou 87.878 postos de trabalho.

Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence, ressalta que a agropecuária foi o único setor que gerou mais vagas em comparação ao ano anterior e relaciona o resultado à safra recorde de 2025. O destaque negativo ficou com a indústria, que, avalia, foi mais sensível ao crédito e aos juros elevados. Pelos dados do Caged, a agropecuária ficou com saldo líquido de 41,9 mil vagas em 2025 ante 11,4 mil de 2024. Já a indústria teve criação de 144,3 mil postos em 2025, menos da metade dos 305,7 mil de 2024.

Por Estado

Em dezembro de 2025, todos os Estados apresentaram saldos negativos, com destaque para São Paulo (-224.282 postos), Minas Gerais (-72.755) e Paraná (-51.087).

Em 2025, todas as unidades da federação obtiveram resultado positivo no Caged. O melhor desempenho entre os Estados foi registrado em São Paulo, com a abertura de 311.228 postos de trabalho. Já o pior desempenho entre os Estados foi registrado em Roraima, com a abertura de apenas 2.568 postos de trabalho.

Projeção

Para Rafael Perez, economista da Suno Research, apesar de ter surpreendido um pouco, o dado do Caged não muda a perspectiva para o mercado de trabalho em 2026. Além dos estímulos do governo já contratados, aponta, as eleições também podem elevar os investimentos públicos (estaduais ou federais), o que deve adicionar emprego e pode manter o mercado de trabalho relativamente aquecido. É um mercado que fica “robusto”, avalia, mesmo com taxa de desemprego um pouco maior em 2026. (Com informações do Valor Econômico e O Estado de S. Paulo)

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