Terça-feira, 31 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 30 de março de 2026
As empresas que receberam investimentos do Banco Master, de forma direta ou indireta, estão mudando de mãos e tentando se afastar da quebra da instituição financeira. Parte dessas companhias, com o caixa exposto aos títulos do banco de Daniel Vorcaro – e, por isso, sem liquidez –, tenta ajustar o balanço em processos de reestruturação e busca de aumento de capital. Esse movimento ocorre em um cenário de incerteza sobre a real extensão das perdas e sobre a capacidade dessas empresas de recompor suas estruturas financeiras no curto e médio prazo.
A teia de investimentos do Master em empresas, muitas de capital aberto, começou a vir à tona em meados do ano passado, especialmente depois que Vorcaro iniciou uma corrida para vender ativos e injetar recursos no banco na tentativa de evitar uma intervenção do Banco Central, que acabou se confirmando. A instituição financeira foi liquidada em 18 de novembro. Desde então, os efeitos dessa estratégia passaram a se refletir de forma mais clara nas companhias que mantinham relação com o banco, seja por meio de participações acionárias, seja por aplicações financeiras.
Há diferentes situações entre as empresas afetadas, com níveis variados de exposição e de fragilidade financeira. Algumas buscam alternativas para reforçar o caixa, enquanto outras enfrentam dificuldades mais profundas, com necessidade de reestruturação mais ampla. Em comum, está o esforço para reduzir a dependência dos recursos vinculados ao Banco Master e restabelecer a confiança de investidores e credores.
A Oncoclínicas, por exemplo, enfrenta um quadro de endividamento e consumo de caixa, e pode fechar uma transação com a Porto e o Fleury, recebendo cerca de R$ 1 bilhão. Ainda assim, há a possibilidade de que, ao final desse processo, a companhia acabe sendo dividida. A participação que era detida pelo Master na rede de tratamento de câncer está atualmente sob controle do Banco de Brasília (BRB), após a execução de uma dívida, o que também altera a configuração societária da empresa.
Um dos casos mais emblemáticos é o da Ambipar. Antes de entrar em recuperação judicial, no ano passado, a companhia havia reportado ao mercado um caixa de R$ 4,7 bilhões. No entanto, ao apresentar informações à Justiça, esses dados foram entregues em envelope lacrado. Até o momento, não há clareza sobre o paradeiro desses recursos, nem confirmação oficial sobre a possibilidade de estarem aplicados em CDBs do Banco Master, como se suspeita no mercado. (Com informações do Valor Econômico)