Quarta-feira, 09 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de setembro de 2026
A decisão dessa terça-feira (8) do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar preventivamente Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal (PF) amplia a crise envolvendo integrantes da Corte e as investigações sobre o Banco Master.
Entre os motivos, Mendonça citou o uso de um relatório da PF em uma ação na qual Alexandre de Moraes pede que ele seja investigado pelo STF.
A crise começou na semana passada, após a divulgação de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O material aproximou Vorcaro de Moraes e levantou questionamentos sobre procedimentos adotados por Mendonça, relator do caso.
Moraes pediu que Mendonça fosse investigado e protocolou a solicitação no inquérito das fake news, relatado pelo próprio ministro. Na sexta-feira (4), o presidente do STF, Edson Fachin, retirou o pedido desse inquérito e determinou esclarecimentos dos envolvidos.
31 de agosto
Mendonça enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um relatório da PF com dados do celular de Vorcaro. O documento reúne 52 mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a um número identificado pela PF como pertencente a Moraes, entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão de Vorcaro.
Nas conversas, Vorcaro relata informações sigilosas sobre investigações contra o banco e pede ajuda para conter ou retardar ações da PF e do Ministério Público. Também pergunta se poderia recorrer a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Dois dias antes da prisão, consultou Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Horas antes, perguntou se o ministro havia conseguido alguma informação ou “bloquear” a operação.
1º de setembro
Mendonça retirou o sigilo do relatório. O documento mostrou que Vorcaro escrevia as mensagens no bloco de notas do celular, fazia capturas de tela e as enviava a Moraes como imagens de visualização única.
As respostas atribuídas ao ministro também foram enviadas dessa forma e não foram recuperadas pela PF. O material, portanto, registra os pedidos de Vorcaro, mas não permite saber, na maioria dos casos, o que Moraes respondeu nem comprova que tenha atendido às solicitações.
Segundo a PF, os dois se encontraram diversas vezes. Em dezembro de 2023, Vorcaro recebeu Moraes e convidados em uma propriedade em Campos do Jordão.
Dias depois, o Banco Master iniciou negociações de um contrato de R$ 131 milhões com o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Metadados indicam que a versão final foi editada em um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório afirma que foi consultado apenas para verificar possíveis impedimentos legais.
Mensagens também mostram a autorização de cartões do Master, com limite de R$ 300 mil, para dois filhos do casal, sem comprovação de uso. Moraes utilizou ao menos uma vez uma aeronave de empresa da qual Vorcaro havia sido sócio. Outra minuta previa R$ 50 milhões ao escritório de Viviane, sendo R$ 40 milhões em cotas de um jatinho e de um helicóptero. O escritório afirma que a proposta não foi aceita nem assinada.
No mesmo dia, Gonet pediu a anulação do relatório. Para ele, Mendonça não poderia determinar diretamente à PF o aprofundamento da apuração sobre outro ministro sem autorização do plenário do STF ou iniciativa do Ministério Público.
Gonet também é citado nas mensagens de Vorcaro, que menciona o procurador-geral ao pedir ajuda para conter medidas contra o Master. O filho de Gonet também aparece no material. O procurador-geral ainda não explicou publicamente essas referências.
2 de setembro
Foi revelado que Mendonça havia recebido Vorcaro para uma conversa em março de 2025. O ministro confirmou o encontro e disse que apenas ouviu o banqueiro sobre um processo envolvendo precatórios. Segundo Mendonça, posteriormente votou contra o interesse de Vorcaro no julgamento.
3 de setembro
Moraes pediu a Fachin que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Acusou o colega de direcionar investigações por razões pessoais e políticas contra ele e Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e afirmou que Mendonça teria ameaçado afastar Andrei Rodrigues e Gonet.
O pedido se baseou em um documento interno que a própria PF classifica como “sem valor probatório”. O relatório não é assinado por delegado.
4 de setembro
Fachin retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news e o incorporou ao processo que trata do relatório da PF.
O presidente do STF deu cinco dias úteis para a PGR se manifestar sobre a admissibilidade das acusações contra Mendonça. Depois, o ministro poderá apresentar defesa no mesmo prazo. Fachin também pediu informações a Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues.
Segundo Fachin, as medidas não antecipam uma decisão sobre quem tem razão, mas buscam esclarecer as mensagens relacionadas a Moraes e a legalidade dos procedimentos adotados por Mendonça. (Com informações do portal UOL)