Sexta-feira, 09 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de janeiro de 2026
Investigações conduzidas pelo Banco Central (BC) encontraram uma ligação entre dinheiro de operações feitas pelo Banco Master, mantidas na gestora Reag, e transações supostamente fraudulentas envolvendo a instituição financeira então pertencente a Daniel Vorcaro e o Banco de Brasília (BRB).
Segundo informado ao Ministério Público, entre julho de 2023 e julho de 2024 teria havido o desvio de R$ 11,5 bilhões do Master por meio de empréstimos supostamente simulados, com os recursos transitando por fundos mantidos na Reag. O Valor apurou que houve tentativas de retornar parte desse dinheiro ao banco por meio de aportes de capital feitos por supostos “laranjas”, com instrumentos híbridos de capital e dívida, no Master e no BRB.
Como o Banco Central identificou dois esquemas de fraude ligados ao Banco Master:
* 14 de julho de 2025 – 1ª comunicação ao MP
O Banco Central aponta indícios de crimes na compra, pelo BRB, de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito vendidas pelo Banco Master.
* 17 de novembro de 2025 – 2ª comunicação ao MP
O BC relata esquema distinto, envolvendo empréstimos simulados do Master, fundos da Reag e desvio de R$ 11,5 bilhões para laranjas.
Esquema 1
O Master comprou carteiras de crédito, com juros mais baixos, de uma empresa chamada Tirreno e as revendeu ao BRB com juros mais altos, apurando lucro nessas operações. A Tirreno teria supostamente adquirido carteiras de crédito consignado de associações de servidores, para então revendê-las.
Os indícios de fraude são: coincidência entre os nomes e CPFs entre operações, 82 mil contratos concentrados em poucos valores idênticos até os centavos, falta de liberação de dinheiro aos tomadores de crédito, datas e valores liberados incompatíveis com empréstimos, operações cedidas como registradas por outra empresa, falta registro das receitas das operações no balanço do Master, pagamentos do Master a Tirreno não foram feitos na forma prevista ano contrato e não foi apresentada documentação comprobatória das operações.
Esquema 2
O Master teria simulado empréstimos a empresas ligadas ao esquema para desviar recursos do banco para laranjas, usando fundos mantidos na Reag como veículos para a lavagem de dinheiro.
Investigações apontam para uma operação financeira suspeita que teria conectado diferentes esquemas envolvendo o Banco Master e fundos administrados pela Reag. Segundo as apurações, o banco teria simulado empréstimos a empresas ligadas ao próprio esquema com o objetivo de desviar recursos e ocultar a origem do dinheiro.
O primeiro passo teria sido a concessão de mais de duas dezenas de empréstimos a empresas supostamente relacionadas ao grupo, com valores individuais que chegaram a até R$ 500 milhões. Essas operações teriam sido estruturadas para aparentar regularidade, apesar de não refletirem transações reais de crédito.
Na sequência, as empresas beneficiadas pelos empréstimos aplicavam os recursos em fundos mantidos pela Reag, criando uma aparência de solidez financeira e mascarando o real nível de endividamento. Esses fundos, por sua vez, passaram a adquirir ativos sem referência clara de preço de mercado.
De acordo com a investigação, os fundos teriam pago valores elevados por papéis de baixo valor econômico, que eram contabilizados nos balanços como ativos relevantes. Com isso, quem vendia os títulos sobrevalorizados obtinha lucro imediato e integrava o esquema de desvio de recursos.
Os valores desviados, então, eram ocultados por meio de sucessivas aplicações e reaplicações em diferentes fundos da própria Reag. O dinheiro circulava por contas de titularidades diversas, dificultando a identificação dos beneficiários finais e caracterizando um processo de lavagem de dinheiro.
Ao fim do percurso, os recursos terminavam registrados em nome de laranjas. Diante das suspeitas, o Banco Central solicitou o congelamento de valores, enquanto as autoridades aprofundam as investigações para identificar os responsáveis e a extensão dos prejuízos. (Com informações do Valor Econômico)