Domingo, 13 de setembro de 2026

Entenda o caso de jovens brasileiras que teriam sido aliciadas nos EUA por um guru espiritual

Hipnose, lavagem cerebral, drogas, ameaça? As famílias de Letícia Maia Alvarenga, de 21 anos, natural de Minas Gerais, e de Desirré Freitas, de 26, com origem em São Paulo, garotas que ainda muito novas foram buscar oportunidades no exterior, se perguntam, aflitas, o que estaria acontecendo com as jovens. Elas não se conheciam, mas o destino as uniu quando desapareceram, este ano, nos Estados Unidos e mudaram abruptamente de comportamento. Isso ocorreu, de acordo com os parentes, após terem se envolvido com a ex-modelo brasileira, empresária e coach Katiuscia Torres, conhecida como Kat Torres, que atua como uma espécie de guru espiritual em solo americano e promete, através de rituais com chás alucinógenos e até hipnose, objetivos como sucesso financeiro e até um marido.

Filha de um bancário e de uma professora, Letícia Alvarenga morava com os pais e os irmãos Vinícius e Laiza na cidade de Perdões (MG), antes de resolver tentar a sorte nos Estados Unidos através de um programa de Au Pair, que consiste em ser recebido por uma família anfitriã e prestar serviços na casa dela.

Em 2019, decidiu, aos 18 anos, morar com uma família e trabalhar como babá em solo americano. “Sua intenção era estudar e futuramente montar uma loja de doces”, contam os pais. Pouco tempo depois, em meados de setembro de 2021, a coisa começou a mudar de figura.

“Descobrimos que ela fazia consultas com uma mulher que se diz coach, chamada Kat Torres, que segundo ela é escritora, hipnoterapeuta, empresária e bruxa, possui um site de consultas on-line, onde promete realizar cura de doenças, ajudar meninas a ficarem ricas e conseguirem se casarem com homens americanos bem-sucedidos e milionários. Um site de milagres”, relatam os pais. “Descobrimos então que todo dinheiro que a Letícia ganhava com seu trabalho era gasto em consultas com a Kat Torres em seu site milagroso. Aos poucos, aquela Leticia carinhosa foi se distanciando da família e dos amigos, influenciada pela Kat Torres”

Kat teria, então, passado a se apropriar o dinheiro que os pais enviavam à filha, segundo eles, e começado a fazer postagens ao lado de Letícia, chegando a citá-la como sua assistente. Em alguns vídeos, ela aparece fora de si, enquanto a ex-modelo e o marido dão risadas. Outra postagem mostra um ritual bizarro de iniciação de “Deusa Alienígena”, onde a garota aparece com uma banheira ao fundo coberta por lâminas e bebendo o que parece ser o chá de Ayahuasca usado pela ex-modelo nos rituais.

A família perdeu contato com ela em abril deste ano, depois de um rápido retorno ao Brasil, quando ela tratou os parentes de forma indiferente e sumiu sem deixar pistas. Eles descobriram que ela havia voltado aos EUA e tinha ido morar com Kat no Texas. Eles fizeram um boletim de ocorrência em setembro e acionaram, também, o consulado brasileiro em Houston.

Desirré Freitas

Desirré viveu durante alguns anos no Canadá, onde estudou jornalismo. Havia decidido se mudar para a Alemanha com o ex-marido, quando, pouco tempo depois, teria sido convencida por Kat Torres a largá-lo e a se mudar para da Europa para os EUA, o que acabou fazendo. Uma das amigas que ela fez em solo canadense, e outros conhecidos da jovem, criaram a página Searching Desirre (procurando por Desirré, em português) no Instagram, onde pedem pistas de seu paradeiro e informações que ajudem a incriminar o suposto esquema de Katiuscia.

Após a criação do Searching Desirré, um perfil dela foi reativado na rede social, e ela – ou alguém se passando por ela – começou a pedir para que a página fosse tirada do ar, porque ela estava bem.

Novos vídeos

Nesta terça-feira (18), um perfil reativado que pertencia a Letícia publicou dois vídeos onde elas aparecem, não se sabe se coagidas ou drogadas, e dizem ter sido sequestradas por uma famosa modelo e atriz brasileira, que nega qualquer envolvimento com o caso. Nas postagens, dizem estar em um cativeiro nos EUA e fazem ataques até a um apresentador de TV, da Record, que cobre o caso.

O caso já chegou ao Ministério das Relações Exteriores, que informou, por nota, que acompanha a situação por meio do Consulado-Geral do Brasil em Houston. O órgão acrescentou que está em “contato estreito com as autoridades policiais norte-americanas responsáveis pela investigação”.

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