Sábado, 17 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de janeiro de 2026
Um acordo histórico entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado neste sábado (17), representando a conclusão de um processo de negociação que se estendeu por 26 anos.
O tratado de livre comércio promete abrir novas oportunidades comerciais para ambos os blocos, mas sua implementação ainda enfrenta desafios significativos tanto na esfera política quanto na burocrática. Carol Pavese, professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá, explicou que o acordo assinado não representa a conclusão definitiva do processo.
“A gente não pode considerar que esse acordo já vai entrar em vigor e que já está finalizado”, alerta a especialista. Após a assinatura, cada país membro do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) precisará submeter o tratado ao seu processo constitucional de ratificação, de forma independente.
Do lado europeu, os obstáculos são ainda maiores. Um grupo de 150 deputados europeus já manifestou oposição ao acordo e conseguiu agendar uma moção para o dia 21 de janeiro no Parlamento Europeu.
“Essa moção pretende sujeitar o texto a uma avaliação jurídica da corte europeia, o que poderia suspender o processo de ratificação por até dois anos”, explica Pavese. Países como França e Polônia lideram a resistência ao acordo, o que pode dificultar sua aprovação definitiva.
Benefícios econômicos e pressão competitiva
Para o Brasil e demais países do Mercosul, o acordo representa uma importante oportunidade econômica em um cenário global marcado pelo protecionismo. “Esse é um acordo que vem num momento importante. Hoje a gente vê um protecionismo que nos penalizou muito, penalizou a nossa indústria, penalizou a nossa agricultura também, que tem uma pauta exportadora muito grande”, destaca Pavese.
Entre os benefícios esperados está a redução de tarifas para produtos agrícolas do Mercosul no mercado europeu, embora com cotas estabelecidas. Para os consumidores brasileiros, o acordo promete acesso a produtos europeus com preços mais competitivos, especialmente itens premium e específicos. Também está prevista maior presença de empresas europeias no setor de serviços nos países do bloco sul-americano.
A professora ressalta que o acordo também trará desafios para a indústria nacional: “Tudo isso aumenta a diversidade do que nos é ofertado, mas também coloca uma maior pressão sobre a nossa indústria nacional para ter que enfrentar uma concorrência europeia sem tanta proteção de tarifas”.
Essa pressão competitiva, segundo ela, pode levar as empresas brasileiras a melhorarem tanto a qualidade dos produtos e serviços quanto os preços oferecidos aos consumidores.
É importante destacar que o que está sendo assinado é um acordo interino, focado principalmente na parte comercial. O acordo permanente e completo, que inclui capítulos políticos e de cooperação, precisará passar pelo processo de ratificação de cada um dos 27 estados-membros da União Europeia, sem prazo definido para conclusão.
Além disso, a União Europeia já aprovou medidas de salvaguarda que permitem frear o acordo caso identifique prejuízos crônicos para setores sensíveis de sua economia, especialmente na área agrícola.