Sábado, 24 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de outubro de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) participaram do último debate entre os candidatos presidenciáveis, antes da votação deste domingo (25), na TV Globo. No quarto bloco do debate, de tema livre, Lula questionou Flávio sobre a disputa envolvendo o jogador Richarlison Andrade e um imóvel em uma ilha em Angra dos Reis (RJ). Lula afirmou que o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, teria conseguido regularizar os direitos sobre o imóvel em apenas uma semana, enquanto o jogador ainda aguardava a regularização de sua situação.
Flávio, por sua vez, negou irregularidades e afirmou que o caso já foi analisado pela Justiça e teve decisão definitiva. Também disse que Willer é seu amigo, mas não seu sócio. Em seguida, dirigiu-se ao jogador e afirmou que ele teria sido enganado na negociação.
O caso voltou ao centro das atenções neste mês. Richarlison publicou um vídeo nas redes sociais em que acusou Flávio Bolsonaro de envolvimento na disputa pelos direitos de ocupação de um imóvel na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ).
A disputa começou em 2020, quando Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões na aquisição de direitos sobre a mansão e em despesas relacionadas ao imóvel, por meio de uma empresa da qual é sócio. Segundo o jogador, Flávio Bolsonaro demonstrou interesse no imóvel, mas ele se recusou a vendê-lo. O atacante acusa o senador de ter se aliado ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, para retirar dele os direitos que reivindica sobre a área.
Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles em 2022, Flávio Bolsonaro visitou a mansão em julho de 2020, a convite do ex-senador Wilder Morais. Na época, o imóvel era ocupado pelo empresário Antônio Marcos Pereira Silva, que negociava a transferência dos direitos possessórios para o grupo ligado ao jogador.
Em janeiro de 2021, Flávio teria voltado à região acompanhado do advogado Willer Tomaz. Em entrevista ao Metrópoles, Antônio Marcos afirmou que Tomaz demonstrou interesse no imóvel e perguntou se seria possível desfazer a negociação ou convencer os novos compradores a vendê-lo. O advogado, no entanto, deu uma versão diferente: disse que já conhecia o imóvel antes desses episódios.
Em vídeo publicado no Instagram em 17 de outubro, Richarlison afirmou que Flávio Bolsonaro estava entre os interessados em comprar o imóvel, mas que recusou a proposta. O atacante também acusou o senador e Willer Tomaz de terem obtido os direitos de ocupação da área na Justiça após a negativa.
“Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça”, declarou. Segundo Richarlison, a regularização da documentação poderia levar meses ou até anos, mas Flávio e o advogado teriam conseguido assumir a posse em apenas 24 horas. O jogador afirmou ainda que investiu cerca de R$ 10 milhões no imóvel e não recebeu qualquer valor pela perda dos direitos que reivindica.
O assunto voltou à tona em 3 de outubro, quando o jogador da Seleção Brasileira cobrou publicamente uma posição de Flávio Bolsonaro. Em uma postagem no Instagram, o atacante questionou o discurso do candidato em defesa de causas justas e pediu a devolução do imóvel. “Lutar pelo que é justo, né? Então devolve minha ilha!!!”, escreveu.
Como a área pertence à União, a disputa judicial gira em torno dos direitos de posse e ocupação do terreno, e não da propriedade da ilha.
No vídeo, Richarlison respondeu a um desafio feito por Willer Tomaz, que havia cobrado do jogador documentos que comprovassem seus direitos sobre o imóvel. “Estarei mostrando aqui agora os documentos que comprovam que eu comprei a ilha. Foi tudo na frente do juiz, foi tudo na frente do desembargador do Rio de Janeiro e foi tudo correto”, afirmou o atacante.
Entre os documentos apresentados estão contratos de cessão de direitos possessórios e comprovantes de pagamentos feitos a antigos ocupantes da área. Segundo o jogador, dos cerca de R$ 10 milhões investidos no imóvel, R$ 4,66 milhões foram pagos a antigos ocupantes. O restante inclui despesas com reformas e segurança.
O jogador também mostrou números de processos administrativos da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Segundo ele, um pedido de regularização apresentado em setembro de 2021 permaneceu sem conclusão por cerca de dez meses, enquanto uma solicitação vinculada ao grupo de Tomaz teria sido concluída em um único dia, em julho de 2022. (Com informações do G1)