Terça-feira, 03 de março de 2026

Entenda por que o fechamento do Estreito de Ormuz mexe com o preço do petróleo mundial

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contar o Irã e as retaliações iranianas, que incluem não só lançamentos de mísseis e drones contra alvos militares e civis na região, mas também ameaças contra a navegação do Estreito de Ormuz, já tem levado a uma alta substancial nos preços do petróleo. Mas qual o motivo de uma interrupção no transporte de navios cargueiros em uma faixa estreita de mar pode causar tanta insegurança?

A estratégica posição geográfica é a resposta. O Estreito de Ormuz, localizado entre Omã e Irã, conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Como lembrou um estudo da Agência Internacional de Energia (AIE), o estreito é profundo e largo o suficiente para acomodar os maiores petroleiros de óleo bruto do mundo, e é um dos pontos de estrangulamento mais importantes do planeta.

Pontos de estrangulamento são exatamente esses canais estreitos ao longo de rotas marítimas globais amplamente utilizadas e que são críticos para a segurança energética global. A incapacidade do petróleo de transitar por um grande ponto de estrangulamento, mesmo que temporariamente, pode criar atrasos substanciais no fornecimento e aumentar os custos de transporte, potencialmente elevando os preços mundiais da energia, diz a Agência.

Embora a maioria dos pontos de estrangulamento possa ser contornada usando outras rotas, – frequentemente aumentando significativamente o tempo de trânsito – caso, por exemplo, do Canal de Suez, que teve períodos de interrupção nos últimos anos por conta de ataques da milícia Houthi do Iêmen no Mar Vermelho, obrigando o uso de longas e custosas rotas alternativas – alguns estreitos não têm essas alternativas práticas. No caso de Ormuz, nenhuma das soluções terrestres existentes – oleodutos, gasodutos, uso de caminhões – pode oferecer uma rota alternativa viável em caso de fechamento do Estreito.

Volumes significativos

Os cálculos são de que quase 90% do petróleo produzido no Golfo – que representam entre 20% e 30% do petróleo bruto mundial – sai da região em petroleiros que precisam passar por esse gargalo de 55 quilômetros de largura.

Entre 2022 e 2024, os volumes de petróleo bruto e condensado que transitaram pelo Estreito de Ormuz caíram 1,6 milhão de b/d, que foram apenas parcialmente compensados por um aumento de 0,5 milhão de b/d nas cargas de produtos petrolíferos.

A queda no trânsito de petróleo pelo estreito refletiu parcialmente a decisão da OPEP+ de cortar voluntariamente a produção de petróleo bruto várias vezes a partir de novembro de 2022, o que reduziu as exportações da Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos (EAU).

Além disso, interrupções em 2024 nos fluxos de petróleo ao redor do Estreito de Bab al-Mandeb, que conecta o Mar Arábico ao Mar Vermelho, levaram a empresa nacional de petróleo da Arábia Saudita, a Aramco, a transferir os fluxos marítimos de petróleo bruto do Estreito de Ormuz, enviando-os por terra através de seu oleoduto Leste-Oeste até portos no Mar Vermelho.

Os fluxos pelo Estreito de Ormuz em 2024 e no primeiro trimestre de 2025 representaram mais de um quarto do comércio global de petróleo marítimo e cerca de um quinto do consumo global de petróleo e produtos petrolíferos. Além disso, cerca de um quinto do comércio global de gás natural liquefeito também transitou pelo Estreito de Ormuz em 2024, principalmente do Catar.

Rotas alternativas

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos possuem alguma infraestrutura que pode contornar o Estreito de Ormuz, mas isso pode apenas mitigar um pouco as interrupções no trânsito pelo estreito. Os oleodutos disponíveis normalmente não operam em plena capacidade.

A Saudi Aramco opera o oleoduto de petróleo bruto Leste-Oeste de 5 milhões de barris por dia, que vai do centro de processamento de petróleo Abqaiq, próximo ao Golfo Pérsico, até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

A Aramco expandiu temporariamente a capacidade do gasoduto para 7,0 milhões de b/d em 2019, quando converteu alguns oleodutos de líquidos de gás natural para aceitar petróleo bruto. Em 2024, a Arábia Saudita bombeou mais petróleo bruto pelo oleoduto Leste-Oeste para evitar as interrupções no transporte marítimo ao redor do Bab al-Mandeb.

Já os Emirados Árabes Unidos também operam um gasoduto que contorna o Estreito de Ormuz. Esse oleoduto de 1,8 milhão de b/d conecta campos de petróleo terrestres ao terminal de exportação de Fujairah, no Golfo de Omã. Em 2024, os volumes de petróleo bruto e condensados originados nos Emirados Árabes Unidos e atravessando Ormuz foram 0,4 milhão de b/d menores do que em 2022, pois as melhorias nas refinarias permitiram que mais petróleo pesado fosse refinado localmente. (Com informações do portal InfoMoney)

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