Terça-feira, 07 de julho de 2026

Entidade pede que advogados parentes de ministros sejam vetados de atuar no Supremo

Um estudo elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP) propõe mudanças nas regras de atuação de advogados que possuem parentesco com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entre as principais sugestões está a proibição de que esses profissionais atuem em processos que tramitam nas próprias Cortes onde seus familiares exercem a magistratura. A proposta faz parte de um conjunto de medidas voltadas ao fortalecimento da transparência e da credibilidade do Poder Judiciário.

O documento foi elaborado pelo economista Daniel Duque, pesquisador do CLP, que sustenta que a restrição não tem como objetivo impedir o exercício da advocacia por familiares de ministros, mas evitar situações que possam levantar dúvidas sobre a imparcialidade ou a igualdade de condições entre os profissionais que atuam nos tribunais superiores.

“O problema não é o direito de familiares exercerem profissão jurídica, mas a atuação perante Cortes nas quais o vínculo familiar pode gerar vantagem de acesso, percepção de influência ou benefício econômico indireto”, escreveu Duque. Segundo ele, a solução seria estabelecer um “impedimento automático” para a atuação desses advogados nos respectivos tribunais.

O debate ganhou força após levantamento divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo. Conforme mostrou o Estadão, cerca de 70% dos processos com participação de advogados parentes de ministros foram protocolados no STF somente depois que esses magistrados assumiram seus cargos na Corte. No Superior Tribunal de Justiça, o levantamento aponta que pelo menos 19 ministros possuem, ao todo, 29 familiares que atuam como advogados em processos no próprio tribunal.

Fundado em 2008 por Luiz Felipe d’Avila, o Centro de Liderança Pública também defende mudanças na política remuneratória do Judiciário. A organização afirma que é necessário tornar efetivo o cumprimento do teto constitucional do funcionalismo público e critica a existência de verbas adicionais que elevam a remuneração de magistrados acima do limite previsto pela Constituição.

Na avaliação do CLP, o pagamento de auxílios, indenizações, gratificações, verbas retroativas e outros benefícios — frequentemente chamados de “penduricalhos” — contribui para o aumento dos chamados supersalários e provoca desgaste na imagem do sistema de Justiça perante a sociedade.

O tema voltou ao centro das discussões após decisão do Supremo Tribunal Federal na semana passada. Segundo especialistas citados pelo estudo, a medida adotada pela Corte acabou transformando o teto constitucional do funcionalismo, atualmente fixado em cerca de R$ 46 mil, em uma espécie de piso para determinadas carreiras beneficiadas por pagamentos adicionais.

Para Daniel Duque, a adoção de um limite remuneratório efetivo seria uma medida necessária para reforçar a confiança da população nas instituições judiciais e garantir maior coerência entre o texto constitucional e sua aplicação prática.

“Tornar o teto constitucional em teto real deveria ser uma medida simples. A credibilidade do Judiciário é corroída quando magistrados e membros de carreiras jurídicas recebem salários, auxílios, indenizações retroativas, verbas especiais e ‘penduricalhos’ que, na prática, superam o limite remuneratório previsto pela Constituição. Quem aplica a Constituição não pode ser o primeiro a driblá-la”, conclui Duque. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo).

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