Segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de fevereiro de 2026
A operação da Polícia Federal contra a Amprev, fundo de previdência dos servidores do Amapá, assustou o mundo político pela proximidade com Davi Alcolumbre (União Brasil), presidente do Senado e uma das autoridades mais influentes do país.
Não é uma conexão qualquer. A ação, que apura irregularidades em investimentos feitos no Banco Master, mirou o diretor-presidente da entidade, Jocildo Silva Lemos. Ele foi indicado para o cargo por Alcolumbre e também trabalhou como tesoureiro da sua campanha nas eleições de 2022.
Para quem perdeu o fio da meada: o fundo botou R$ 400 milhões em títulos furados do Master e teve um prejuízo, como revelou a Folha, ao colocar dinheiro num fundo de investimentos administrado pelo banco de Daniel Vocaro, que aplicava quase toda a sua carteira em ações da Ambipar, empresa que fez parte do esquema. O incômodo é geral entre os políticos (aliados e opositores de Lula) porque, a esta altura do campeonato, esperava-se que a temperatura do caso fosse arrefecer com a pressão nos bastidores para abafar o caso.
A operação da PF mostrou o contrário. As investigações estão chegando perto de mais poderosos. O próximo passo caminha para conexões do Master com as bets e suas ligações perigosas com congressistas.
Lula determinou que o governo vá “às últimas consequências” nas investigações. Acha que o dano no seu governo e no PT está controlado e que até pode se beneficiar do escândalo. Desde que não chegue a comprometer as alianças políticas nas eleições.
Alcolumbre já afirmou que vai esperar passar o carnaval para avaliar com os líderes se deve ou não ter CPI ou CPMI. Na visão de alguns parlamentares, uma Comissão Parlamentar de Inquérito não seria viável, porque essas investigações se tornarão um espetáculo – ainda mais em ano eleitoral. E, para completar, caso haja alguém disposto a fazer uma delação premiada, não faria à CPI.
A tempestade não passa e o clima vai ficando esquisito na capital. Tem presidente de partido da oposição, Ciro Nogueira (PP), procurando acordo com Lula, ministros do governo batendo na PF e senador aliado relembrando que Chico Lopes (ex-presidente do BC) já saiu preso de uma CPI.
Quem vê com lupa o cenário em Brasília diz que está ficando claro que o acordão em construção é um tiro certeiro para interromper a CPI do INSS e o governo Lula não avançar na CPI do Master. Um pouso suave para a campanha eleitoral começar. (Adriana Fernandes/Folhapress)