Terça-feira, 17 de maio de 2022

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Escassez de doses de vacinas contra a covid amplia tensão com laboratórios

Ativistas e líderes políticos intensificaram a pressão sobre as empresas farmacêuticas dos EUA para que compartilhem informações sobre suas vacinas com nações que precisam de imunizantes – em especial a Moderna, a empresa de biotecnologia que desenvolveu sua fórmula contra a covid com bilhões de dólares de dinheiro público.

A bem-sucedida corrida para desenvolver vacinas em um curto intervalo de tempo colocou Moderna e Pfizer em uma posição de destaque. Mas agora, com menos de 10% da população vacinada em países mais pobres e uma falta de doses que contribui para milhões de mortes, autoridades sanitárias nos EUA e no exterior querem que as empresas façam mais para sanar a falta de imunizantes.

O governo de Joe Biden pediu, de forma reservada, para que Pfizer e Moderna se juntassem a iniciativas para fornecer vacinas para nações de baixo e médio desenvolvimento, segundo integrantes do governo. Essas conversas levaram a um acordo com a Pfizer, anunciado na quarta-feira (22), para vender aos EUA meio milhão de doses a preço de custo – em vez de licenciar sua tecnologia – para que sejam doadas. Mas o diálogo com a Moderna não avançou.

Um grupo de fabricantes de remédios e vacinas em países em desenvolvimento está preparando um apelo a Biden, pedindo que pressione as empresas para que compartilhem os processos usados para fabricar os imunizantes. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) enfrentou problemas ao negociar com a Moderna, segundo Martin Friede, ligado à OMS, e Charles Gore, que comanda uma ONG apoiada pela ONU. Os dois trabalham para criar um polo de transferência de tecnologia na África do Sul, para ensinar aos fabricantes a produzir vacinas com a tecnologia de RNA mensageiro, usada nas vacinas das empresas americanas.

Em reunião virtual, no meio da semana, Biden pediu aos chefes de Estado, executivos de farmacêuticas, grupos de filantropia e ONGs para que “pensem grande” para colocar fim à pandemia. Isso inclui uma meta ambiciosa: a vacinação de 70% da população global até meados do ano que vem.

Ativistas afirmam que a Moderna tem a obrigação de compartilhar sua tecnologia porque a vacina se baseia em práticas desenvolvidas pelo Instituto Nacional de Saúde e porque a empresa aceitou US$ 2,5 bilhões em financiamento público. Uma representante da Moderna, Colleen Hussey, disse que a empresa concordou em abrir mão das patentes no período pós-pandemia”.

Mas os ativistas dizem que o mundo precisa do conhecimento da empresa agora, não após a pandemia. “É preciso que alguém compartilhe todo o processo, porque é algo novo”, afirmou Alain Alsalhani, da ONG Médicos Sem Fronteiras. “Um dos problemas é que a literatura científica sobre a fabricação em grande escala de vacinas mRNA é pouca. Por isso, não se trata de uma receita, mas de uma transferência completa de tecnologia.”

A Pfizer diz que assinou uma carta de intenções, anunciada em agosto, com a empresa sulafricana Biovac, para fabricar a vacina para países africanos. Mas a Biovac vai apenas colocar a vacina pronta nas embalagens, o que não significa o compartilhamento da fórmula. A substância em si será feita na Europa.

Alguns executivos sugeriram que o polo sul-africano pode não estar pronto para fabricar vacinas. Mas uma recente visita da OMS revelou que a Afrigen, centro de pesquisas do polo, e a Biovac estão “aptas” para a produção, segundo resumo da visita obtido pelo The New York Times.

O texto dizia que a equipe da Afrigen é “competente e experiente”, tendo desenvolvido um plano para um “robusto processo de produção de vacinas com tecnologia de RNA mensageiro, que será transferido à Biovac”.

Na ausência de colaboração voluntária por parte das empresas, especialistas e ativistas dizem que Biden poderia tentar forçá-los a compartilhar a propriedade intelectual, usando os poderes do Ato de Produção de Defesa, lei de 1950 que dá ao presidente amplos poderes sobre as empresas americanas em situações de emergência.

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