Terça-feira, 17 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de março de 2026
O escritório de advocacia Barci de Moraes, ligado à família do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou que pretende entrar com uma ação de indenização na Justiça contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado no Senado.
A iniciativa ocorre após declarações do parlamentar sobre investigações que tratariam de possíveis fluxos financeiros envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e diferentes agentes públicos e privados. O escritório afirma que o senador teria estabelecido uma relação entre recursos atribuídos à organização criminosa e a banca de advocacia, que é administrada por familiares do ministro do STF e que foi contratada pelo Banco Master.
De acordo com a defesa do escritório, essa interpretação é incorreta e não corresponde à realidade dos serviços prestados. Os advogados afirmam que pretendem recorrer à Justiça estadual de São Paulo para buscar reparação por danos à imagem da empresa e de seus integrantes.
Durante entrevista ao SBT News, Alessandro Vieira comentou o andamento de investigações mencionadas no âmbito da CPI. “Você tem apurações em andamento que apontam a chegada de recursos do PCC, Primeiro Comando da Capital, uma organização criminosa violenta. Você tem indicativos de pagamentos a autoridades de diversos poderes, servidores públicos de carreira, políticos, eventualmente pessoas ligadas ao Judiciário”, disse o senador.
Em outro trecho da entrevista, o parlamentar acrescentou: “A gente tem informações que apontam circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Não é razoável dizer agora que essa circulação de recurso é ilícita”.
O escritório Barci de Moraes afirma que a informação divulgada é falsa e que a ação judicial apontará a suposta prática dos crimes de injúria, calúnia e difamação. Segundo a banca, a medida busca resguardar a reputação profissional do escritório e esclarecer publicamente a natureza dos serviços prestados ao Banco Master.
Após a repercussão das declarações, Alessandro Vieira afirmou que não fez uma ligação direta entre o PCC e o escritório de advocacia da família do ministro do STF. O senador declarou que a interpretação dada às suas falas não corresponde ao que ele pretendia comunicar durante a entrevista.
“Essa interpretação forçada não corresponde ao que falei e é mais uma tentativa de intimidação. O que fiz foi relatar o processo provável de lavagem de dinheiro realizado por um grupo que contratou os serviços do escritório da família Moraes”, afirmou o parlamentar.
Vieira também comentou que considera previsível a reação jurídica diante das investigações conduzidas pela CPI. Segundo ele, iniciativas judiciais desse tipo já eram esperadas no contexto das apurações realizadas pela comissão.
O senador acrescentou ainda que, em sua avaliação, ainda existe dificuldade em reconhecer a gravidade das suspeitas relacionadas às atividades investigadas. “As pessoas aparentemente ainda têm dificuldade em compreender que as atividades do Master eram criminosas”, disse. (Com informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo)