Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de janeiro de 2026
A Espanha e a Alemanha recusaram o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o recém-criado “Conselho da Paz”, iniciativa lançada pelo governo norte-americano com o objetivo declarado de monitorar a situação na Faixa de Gaza e coordenar a reconstrução do território palestino, além de atuar em outros conflitos internacionais.
O anúncio da recusa espanhola foi feito pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, que afirmou que a decisão está alinhada com a posição histórica de Madri em defesa do direito internacional, da Organização das Nações Unidas (ONU) e do multilateralismo. Segundo ele, a criação do conselho é vista por setores da diplomacia internacional como uma tentativa de esvaziar o papel da ONU, principal organismo multilateral do mundo. Sánchez também criticou o fato de a Autoridade Palestina não fazer parte da estrutura proposta. “Agradecemos o convite, mas recusamos”, declarou o premiê.
Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz afirmou que estaria disposto a apoiar iniciativas que contribuam para a reconstrução de Gaza, mas considerou inviável aderir ao plano nos termos apresentados pelo governo norte-americano. Com isso, os dois países se juntam a França, Noruega, Eslovênia e Suécia, que já haviam anunciado que não participarão do conselho.
De acordo com a Casa Branca, cerca de 60 países foram convidados para integrar o órgão. Entre os que aceitaram participar estão Armênia, Arábia Saudita, Argentina, Azerbaijão, Bahrein, Belarus, Bulgária, Catar, Cazaquistão, Egito, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Kosovo, Marrocos, Mongólia, Paquistão, Paraguai, Turquia, Uzbequistão e Vietnã. Outros países, como Brasil, Reino Unido, China, Croácia, Itália, Rússia, Singapura e Ucrânia, ainda não responderam formalmente ao convite.
O Conselho da Paz foi lançado oficialmente na quinta-feira (22), durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Em discurso marcado por críticas à ONU, Trump afirmou que o novo órgão terá autoridade ampla para atuar não apenas em Gaza, mas em outras regiões do mundo. Segundo ele, o conselho poderá “fazer praticamente tudo o que quisermos”, embora tenha afirmado que haverá diálogo com as Nações Unidas.
Trump apresentou ainda um plano de reconstrução para Gaza, apelidado de “Nova Gaza”, que prevê grandes projetos de infraestrutura, incluindo arranha-céus. O presidente norte-americano será o presidente vitalício do conselho e o único com poder de veto, de acordo com o estatuto preliminar da entidade. Cerca de 30 dos líderes que aceitaram participar estiveram presentes na cerimônia de lançamento, entre eles o presidente argentino, Javier Milei. Nenhum grande aliado ocidental compareceu ao evento.
A criação do conselho estava prevista na segunda fase do acordo de paz mediado pelos Estados Unidos e assinado por Israel e pelo grupo Hamas, em outubro do ano passado. O plano, divulgado pela Casa Branca no fim de setembro, tem 20 pontos e prevê a desmilitarização da Faixa de Gaza e a instalação de um governo de transição, formado por um comitê palestino tecnocrático e apolítico, que seria supervisionado pelo conselho.
Segundo o governo norte-americano, a entidade deverá apoiar a governança local e a prestação de serviços considerados essenciais para promover a estabilidade e a prosperidade da população de Gaza. O estatuto do conselho estabelece mandatos de três anos para os países-membros, renováveis a critério do presidente. No entanto, Estados que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em recursos financeiros no primeiro ano terão permanência fixa, sem limitação de mandato.