Sábado, 04 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 3 de abril de 2026
O Brasil não deve sofrer com a falta de diesel no curto prazo, apesar de a oferta do produto ter diminuído por causa do conflito no Irã. Desde o início da guerra – que se alastrou pelo Oriente Médio –, o cenário se agravou com o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção global de petróleo, rota considerada estratégica para o abastecimento energético mundial.
“Não vemos problemas de abastecimento em abril”, afirma Sergio Araújo, presidente executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis. “Pode ser que haja excesso de produto em algum lugar, com um estoque um pouco mais alto. Em outros, pode haver um estoque um pouco menor, com alguma falta pontual.”
O Brasil é autossuficiente na produção de petróleo, mas depende de uma fatia das importações de diesel por causa da limitação da capacidade de refino do País. Em geral, essa importação varia entre 25% e 30% do que é consumido internamente, o que torna o mercado sensível a oscilações externas, especialmente em momentos de instabilidade geopolítica.
No ano passado, por exemplo, o consumo total do produto no País foi de 59 milhões de metros cúbicos, e o Brasil importou 17 milhões de metros cúbicos de diesel A – aquele sem a mistura do biodiesel. A maior parte veio da Rússia (47%), dos Estados Unidos (33%) e da Índia (9%), evidenciando a diversificação das origens, mas também a dependência do mercado internacional.
“Não há desabastecimento de diesel no País”, afirma Carlos Orlando, diretor de downstream do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás. “Nós temos uma produção, que somada às importações, dá uma tranquilidade para abril.” Segundo ele, o sistema logístico e a cadeia de distribuição seguem operando normalmente, apesar das pressões externas.
Embora o cenário não seja considerado crítico, desde o início do conflito, o Brasil colheu relatos de falta de combustível em algumas regiões. Produtores rurais lidaram com uma verdadeira saga para encontrar o diesel em plena época de colheita, o que gerou preocupação no setor agrícola, especialmente em áreas com maior demanda sazonal.
Os especialistas dizem que vários motivos podem explicar essa falta pontual de diesel, como uma demanda atípica – o Rio Grande do Sul está em período intenso de colheita de arroz e soja – e um aumento de estoque por parte de distribuidores e consumidores, motivado pela alta dos preços e pela expectativa de novas oscilações no mercado internacional.
“O diesel é o combustível do qual o Brasil mais depende para atender ao abastecimento da nossa matriz logística, concentrada no transporte rodoviário. É dependente tanto das atividades econômicas em geral quanto do escoamento de grãos e da safra agrícola do País”, diz João Victor Marques, pesquisador da FGV Energia. Segundo ele, qualquer desequilíbrio, ainda que pontual, tende a ter impacto direto na economia real. (Com informações de O Estado de S. Paulo)