Sábado, 22 de janeiro de 2022

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Estados Unidos alertam que Rússia planeja atacar Ucrânia com 175 mil soldados

À medida que aumentam as tensões entre Washington e Moscou sobre uma potencial invasão russa à Ucrânia, a Inteligência dos Estados Unidos descobriu que o Kremlin está planejando uma ofensiva em várias frentes já no início do próximo ano envolvendo até 175 mil soldados, de acordo com autoridades americanas e um documento de Inteligência obtido pelo jornal The Washington Post.

O Kremlin está movendo tropas em direção à fronteira com a Ucrânia, enquanto exige a garantia de Washington de que o país do leste europeu não ingressará na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e que a aliança se absterá de certas atividades militares dentro e ao redor do território ucraniano. A crise provocou temores de uma nova guerra em solo europeu e vem antes de uma reunião virtual planejada para a próxima terça-feira entre os presidentes Joe Biden e Vladimir Putin.

“Os planos russos preveem uma ofensiva militar contra a Ucrânia já no início de 2022, com uma escala de forças duas vezes maior do que vimos na primavera passada (Norte), durante o exercício rápido da Rússia perto das fronteiras da Ucrânia”, disse um funcionário do governo, falando sob condição de anonimato para discutir informação sensível. “Os planos envolvem ampla movimentação de 100 grupos táticos de batalhão com uma estimativa de 175 mil pessoas, junto com blindagem, artilharia e equipamento.”

O documento não sigiloso da Inteligência dos EUA, que inclui fotos de satélite, mostra as forças russas se concentrando em quatro locais. Atualmente, 50 grupos táticos no campo de batalha estão posicionados, juntamente com tanques e artilharia “recém-chegados”, de acordo com o documento.

As autoridades americanas enfatizam que as intenções de Putin permanecem obscuras e que a Inteligência não mostra se ele decidiu executar o aparente plano de guerra. A invasão russa da Ucrânia desencadearia uma grande crise de segurança nacional para a Europa e a administração Biden, que declarou um “compromisso de ferro” com as fronteiras e a independência da Ucrânia.

Embora as avaliações ucranianas tenham afirmado que a Rússia tem aproximadamente 94 mil soldados perto da fronteira, o mapa dos EUA coloca o número em 70 mil, mas prevê um aumento para até 175 mil e descreve um amplo movimento de grupos táticos de batalhão de e para a fronteira “para ofuscar as intenções e criar incerteza”.

A análise dos EUA dos planos da Rússia se baseia em parte em imagens de satélite que “mostram unidades recém-chegadas em vários locais ao longo da fronteira ucraniana no mês passado”, disse o oficial.

Detalhes da Inteligência dos EUA fornecem um quadro que o secretário de Estado Antony Blinken começou a traçar esta semana em uma viagem à Europa, onde descreveu “evidências de que a Rússia fez planos para movimentos agressivos significativos contra a Ucrânia” e advertiu que haveria consequências graves, incluindo medidas econômicas de alto impacto, se a Rússia conduzisse a invasão.

Biden disse que está preparando medidas para aumentar o custo de qualquer nova invasão para Putin, que considerou os avisos dos EUA como rumores e disse que a Rússia não está ameaçando ninguém. “O que estou fazendo é reunir o que acredito ser o conjunto mais abrangente e significativo de iniciativas para tornar muito, muito difícil para Putin ir em frente e fazer o que as pessoas estão preocupadas que ele possa fazer”, disse Biden na sexta-feira.

Os movimentos militares russos acontecem no momento em que Moscou levanta preocupações em Washington, com uma repentina mobilização de reservistas neste ano e uma escalada dramática de sua retórica em relação à Ucrânia.

As autoridades russas defenderam a mobilização da reserva como uma medida necessária para ajudar a modernizar as forças armadas russas. Mas o funcionário do governo levantou preocupações sobre o “programa repentino e rápido para estabelecer uma reserva pronta de reservistas contratados”, que o funcionário disse que deve adicionar mais 100 mil soldados aos cerca de 70 mil posicionados agora.

O presidente da Ucrânia, Vladimir Zelinski, recentemente acusou um grupo de russos e ucranianos de tentar um golpe em seu país e que os conspiradores tentaram obter a ajuda do homem mais rico da Ucrânia, Rinat Akhmetov. A Rússia e Akhmetov negaram que qualquer conspiração esteja em andamento, mas os russos tornaram-se mais explícitos recentemente em suas advertências a Ucrânia e Estados Unidos.

Biden também deve falar com Zelenski na próxima semana, segundo uma fonte próxima ao líder ucraniano.

As relações EUA-Rússia têm sido difíceis desde que Biden assumiu o cargo. Seu governo impôs sanções contra alvos russos e acusou o Kremlin de interferência nas eleições dos EUA, de ciberatividade contra empresas americanas e pelo tratamento ao opositor Alexei Navalni, que foi envenenado no ano passado e posteriormente preso na Rússia.

 

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