Sábado, 14 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 13 de fevereiro de 2026
Os Estados Unidos anunciaram duas licenças gerais que permitem a cinco empresas petrolíferas multinacionais retomarem as operações na Venezuela sem sanções. As cinco beneficiárias são a Chevron, com sede nos EUA, a italiana Eni, a espanhola Repsol e as britânicas BP e Shell.
“Todas as transações” dessas empresas relacionadas ao setor petrolífero venezuelano estão autorizadas, assim como contratos para “novos investimentos no setor de petróleo e gás” para todas as empresas interessadas em fazer negócios no país sul-americano, diz o comunicado.
Após uma operação militar do governo americano ter retirado do governo, capturado e levado para uma prisão nos EUA o presidente venezuelano Nicolás Maduro, o governo Trump tem atuado próximo à presidente interina Delcy Rodríguez. A operação militar que derrubou Maduro teve como objetivo explicitamente declarado de Trump a retomada da exploração de petróleo no país.
Desde 2019, no primeiro governo Trump, a atividade na Venezuela estava sob embargo do governo americano, o que impedia petrolíferas dos EUA e multinacionais ocidentais de atuarem no país. Apenas a americana Chevron tinha uma licença especial para uma produção local de petróleo.
Rússia e China eram os principais compradores de petróleo venezuelano, mas a indústria local opera com baixíssima produtividade, após décadas de baixos investimentos. No início do mês, o presidente americano Donald Trump havia dito que recebia com bons olhos investimentos da China e Índia no petróleo da Venezuela.
As cinco empresas que agora obtiveram as licenças americanas ainda têm escritórios no país e participações em alguns projetos. Mas apenas a Chevron atuava efetivamente com a exploração de petróleo na Venezuela.
A autorização para as operações das grandes petrolíferas exige que os pagamentos de royalties e impostos venezuelanos sejam feitos por meio do Fundo de Depósito de Governo Estrangeiro, controlado pelos Estados Unidos.
A outra licença permite que empresas ao redor do mundo firmem contratos com a PDVSA para novos investimentos em petróleo e gás na Venezuela. Os contratos estão condicionados a autorizações separadas do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês).
A autorização não permite transações com empresas da Rússia, do Irã ou da China, nem com entidades pertencentes ou controladas por joint ventures com pessoas desses países.
A Venezuela tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo e, em 1997, chegou a responder por quase 5% da produção global da matéria-prima. Grandes refinarias instaladas nos EUA, sobretudo na costa do Golfo do México, foram construídas com a premissa de processarem o petróleo venezuelano, ou seja, são adequadas a este tipo de óleo, mais pesado.
Investimentos
As licenças emitidas pelos Estados Unidos nessa sexta-feira (13) vêm na sequência de uma ampla reforma da principal lei do petróleo da Venezuela, aprovada no mês passado, que concede autonomia aos produtores estrangeiros para operar, exportar e receber os recursos das vendas no âmbito das joint-ventures já existentes com a PDVSA ou por meio de um novo modelo de contrato de partilha de produção.
Trump já afirmou que seu objetivo é viabilizar US$ 100 bilhões em investimentos de empresas de energia no setor de petróleo e gás da Venezuela. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse nesta na quinta-feira, durante seu segundo dia de viagem à Venezuela, que as vendas de petróleo do país desde a captura de Maduro atingiram US$ 1 bilhão e devem alcançar outros US$ 5 bilhões nos próximos meses.
Wright disse que os Estados Unidos controlarão os recursos provenientes dessas vendas até que a Venezuela estabeleça um “governo representativo”.
Desde o mês passado, o Departamento do Tesouro emitiu várias outras licenças gerais para facilitar as exportações, o armazenamento, as importações e as vendas de petróleo da Venezuela. Também autorizou a provisão de bens, tecnologia, software ou serviços dos EUA para a exploração, o desenvolvimento ou a produção de petróleo e gás na Venezuela. (As informações são da Folha de S. Paulo e O Globo)