Domingo, 26 de julho de 2026

Estados Unidos poupam café e carne do Brasil do tarifaço por causa da crise no agronegócio americano e inflação naquele país

Alguns produtos do agronegócio brasileiro ficaram fora do tarifaço por serem estratégicos para a economia dos Estados Unidos.

No dia a dia do americano, não falta cafezinho brasileiro. É que os Estados Unidos são os maiores consumidores da bebida no mundo e produzem menos de 1% dos grãos de que precisam. Do que chega lá, um terço sai do Brasil.

“Os Estados Unidos é o nosso primeiro maior destino desde 1960”, diz Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

Ter ficado de fora do novo tarifaço foi um alívio para quem exporta café. Mas o setor sabe que a decisão foi uma estratégia de defesa dos americanos. O representante da indústria de café solúvel afirma que os Estados Unidos perceberam que taxar esse produto brasileiro prejudicaria as empresas e os empregos deles.

“Tem vários interesses econômicos, né? Se tem algum produto que poderia impactar diretamente no consumidor e impactar em taxa de inflação, eu acho que foi por aí que nós conseguimos ter sucesso”, explica Lima.

“Não existem países concorrentes, porque não há o volume necessário pra atender esse volume que o Brasil tem de exportação pros Estados Unidos.”

As refeições do americano também foram poupadas. A nova tarifa não afeta a carne bovina brasileira. Um produtor rural de Cuiabá, Mato Grosso, diz que as exportações ganharam força nos últimos 15 anos.

“Eles precisam da carne brasileira. Eles já têm problema de falta de carne para abastecer o mercado interno. Então, nós entendemos que a necessidade maior ou menor é que faz com que os interesses geopolíticos taxe, ou não sobretaxe, que é o caso. A carne é importante pra eles, como é importante pra todos nós”, afirma o produtor rural Maurício Tonhá.

Alguns produtos do agro brasileiro escaparam da nova tarifa porque a agricultura americana enfrenta uma crise causada, principalmente, pelos altos custos de produção. Segundo a associação que representa o setor, nas últimas duas décadas, só em 5 desses 20 anos as safras não fecharam no prejuízo. Em todos os outros, o saldo ficou negativo na casa dos bilhões de dólares.

“Eles vêm vivendo um problema de produção muito grave, né? É o menor nível de rebanho dos últimos 75 anos, né? Isso vem de condições climáticas, né, redução das pastagens, a piora da qualidade, né?”, fala Leandro Gilio, professor do Insper Agro Global.

Ele explica, ainda, que a guerra comercial com a China diminuiu a compra dos produtos agrícolas americanos e que a política de restrições a imigrantes nos Estados Unidos reduziu a mão de obra no campo.

“Uma das atividades econômicas que mais absorve imigrantes nos Estados Unidos é justamente a agropecuária. Trabalhadores acabaram ficando um pouco mais caros por essa redução dos imigrantes. E isso daí não se repõe do dia pra noite”, completa Gilio. Com informações do portal G1.

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