Quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 27 de janeiro de 2026
Em reação ao impacto dos juros elevados sobre a atividade econômica, o governo colocou em marcha um conjunto de medidas de estímulo que, somadas aos investimentos de Estados e municípios, devem injetar cerca de R$ 114 bilhões em novos recursos na economia em 2026. O montante é suficiente para responder por, ao menos, metade do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) projetado por economistas para um ano marcado pelas eleições, reduzindo o risco de uma desaceleração mais intensa provocada pelo crédito caro.
Projeções de diferentes casas de análise indicam que os gastos do governo federal, as políticas de transferência de renda e o reforço ao crédito devem reacender a demanda, após um 2025 de impulso fiscal mais moderado. Outra parcela relevante do crescimento esperado deve vir das obras conduzidas por governos estaduais e prefeituras, que atravessam um momento de maior folga de caixa e passaram a gastar menos com juros depois da renegociação de dívidas com a União.
Na média, estimativas apontam que os estímulos do governo federal e das administrações subnacionais gerem um impulso equivalente a 0,9% do PIB. Considerando projeções de crescimento de 1,7% para 2026, isso corresponde a aproximadamente R$ 114,3 bilhões adicionados à economia.
Do lado federal, a principal contribuição — entre 0,2% e 0,3% do PIB — deve vir da isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil. O crédito consignado para trabalhadores do setor privado teria impacto estimado em 0,2% do PIB, enquanto as projeções de estímulo oriundo de Estados e municípios variam de 0,2% a 0,6% do PIB.
O maior fluxo de estímulos no atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocorreu nos dois primeiros anos do mandato, com a ampliação de programas sociais, a retomada de reajustes reais do salário mínimo e o pagamento de precatórios atrasados, fatores que impulsionaram o crescimento acima do esperado. Com a entrada em vigor do arcabouço fiscal, que impôs limites aos gastos e metas de redução do déficit primário, o governo passou a recorrer mais a fundos fora da regra fiscal e a compensações via aumento de tributos sobre aplicações financeiras, alta renda e redução de benefícios tributários.
Em 2025, o atraso na aprovação do Orçamento — sancionado apenas em abril — contribuiu para um impulso fiscal próximo da neutralidade. No segundo semestre, porém, a execução das despesas ganhou fôlego com novos pagamentos de precatórios e a liberação de emendas parlamentares.
Para 2026, o cardápio de medidas pró-crescimento inclui a ampliação do Minha Casa, Minha Vida, linhas de crédito para reforma de imóveis, descontos na conta de energia pelo programa Luz para Todos, gratuidade do botijão de gás para famílias vulneráveis e a liberação de parte do compulsório da poupança para ampliar o crédito imobiliário.
Segundo estimativas do BTG Pactual, a nova tabela do Imposto de Renda pode transferir cerca de R$ 30 bilhões por ano às famílias beneficiadas. O consignado privado adicionaria outros R$ 24 bilhões, enquanto o novo modelo de crédito imobiliário deve injetar R$ 37 bilhões entre o fim de 2025 e 2026. Já o crédito para reformas residenciais pode acrescentar R$ 14 bilhões, e a nova faixa do Minha Casa, Minha Vida, cerca de R$ 8 bilhões.
Economistas alertam, contudo, para incertezas. Para Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, o impacto dessas políticas pode responder por cerca de um quarto do crescimento projetado de 2% do PIB em 2026. “Depende do comportamento das famílias em relação a poupar, pagar dívidas ou consumir”, afirma.
Apesar de limites fiscais e eleitorais, analistas veem risco de novos estímulos. O Itaú Unibanco atribui viés de alta à projeção de crescimento de 1,7% para 2026, diante da possibilidade de medidas adicionais para conter a desaceleração econômica.
(Com informações do jornal O Estado de S.Paulo)