Sexta-feira, 03 de abril de 2026

Estreito de Ormuz ficará fechado no longo prazo para Estados Unidos e Israel, diz Irã

As forças militares iraniana anunciaram nessa quinta-feira (2) que o Estreito de Ormuz ficará fechado no “longo prazo” para os Estados Unidos e Israel. A declaração acontece um dia depois de a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) afirmar que o Estreito de Ormuz permanece sob “pleno controle” de sua Marinha e rejeitar qualquer possibilidade de reabertura nas condições sugeridas pelos Estados Unidos.

Em comunicado, a força disse que a via estratégica “não será reaberta aos inimigos desta nação por meio das ‘encenações ridículas’” do presidente” americano, Donald Trump. O Estreito de Ormuz está fechado há mais de um mês, desde o começo da guerra, iniciada no dia 28 de fevereiro.

Autoridades do Irã anunciaram nesta quinta-feira (2) que o país está trabalhando em um protocolo para garantir o tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz em conjunto ao Omã.

O vice-ministro de Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, disse à agência estatal russa Sputnik que o protocolo para gerenciar a circulação das embarcações seria aplicado assim que a guerra terminasse.

A situação de Ormuz tem causado uma preocupação internacional crescente. Também nesta quinta, 40 países pediram a “reabertura imediata” da passagem. Países do Golfo Pérsico pediram da ONU autorização para uso da força para essa liberação, que prejudica suas exportações.

O estreito é um importante corredor marítimo, por onde passam cerca de 20% das exportações de petróleo do mundo. O fluxo é controlado tanto pelo Irã quanto pelo Sultanato de Omã, que detém um exclave na costa sul do local.

Trump tentou reabrir a região por diversas vezes, mas, de início, não teve apoio dos aliados, os quais ele classificou como ‘covardes’. Após a declaração, ele recebeu apoio de mais de 20 países, entretanto, na quarta-feira (1), durante coletiva, ele declarou que o Estreito vai se abrir ‘naturalmente’. Declaração que vem após ele dizer que, se os aliados quisessem petróleo, deveriam desbloquear a região sozinhos.

Reunião sem EUA

O Reino Unido acusou o Irã nesta quinta-feira (2) de “manter a economia mundial como refém”, enquanto diplomatas de mais de 40 países participaram de uma reunião para discutir formas de reabrir o Estreito de Ormuz, rota marítima vital afetada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Os Estados Unidos não participaram do encontro virtual. A ausência ocorre após o presidente Donald Trump afirmar que garantir a segurança da via marítima não é responsabilidade americana. Ele também criticou aliados europeus por não apoiarem a guerra e voltou a ameaçar retirar os EUA da Otan.

A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, disse que a “imprudência” do Irã ao bloquear a hidrovia estava “atingindo as famílias e empresas em todos os cantos do mundo”, enquanto presidia a reunião virtual, que incluía França, Alemanha, Canadá, Emirados Árabes Unidos e Índia.

Autoridades europeias disseram que a reunião inicial dessa quinta-feira se concentrou em quais países estavam preparados para participar da coalizão proposta e nas opções diplomáticas e econômicas disponíveis para persuadir o Irã a abrir o Estreito.

Embora a reunião tenha terminado sem nenhum acordo específico, houve um consenso de que o Irã não deveria introduzir taxas de trânsito sobre os navios que usam a hidrovia e que todas as nações deveriam poder usá-la livremente, disse uma das autoridades.

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, foram registrados 23 ataques diretos a embarcações comerciais na região, com 11 tripulantes mortos, segundo a empresa de dados marítimos Lloyd’s List Intelligence.

O fluxo de navios caiu drasticamente. Os poucos petroleiros que ainda cruzam a área são, em sua maioria, embarcações que tentam driblar sanções para transportar petróleo iraniano. Segundo a empresa, o Irã mantém controle rigoroso sobre quem pode atravessar o estreito. (Com informações do g1 e Jovem Pan)

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