Sábado, 31 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 31 de outubro de 2026
Estudantes de escolas públicas e particulares de diferentes regiões do Brasil têm sido alvo de bullying, intimidações, ofensas e ameaças em razão de divergências políticas. Os episódios foram registrados após manifestações estudantis realizadas depois do primeiro turno e também nos dias seguintes ao segundo turno das eleições presidenciais. Diante das denúncias, o Ministério da Educação (MEC) solicitou à Polícia Federal (PF) que investigue ameaças dirigidas a universidades federais, estudantes e professores.
Os relatos incluem xingamentos, comentários preconceituosos, exposição de fotografias de menores de idade nas redes sociais e até ameaças de violência sexual. Os casos foram registrados no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Paraná e no Distrito Federal, envolvendo alunos com diferentes posicionamentos políticos.
Um dos episódios ocorreu no Rio de Janeiro, após uma manifestação estudantil realizada em 7 de outubro, entre a Candelária e a Cinelândia, no centro da cidade. O ato reuniu estudantes, professores e familiares em defesa da democracia, da manutenção de direitos e da educação pública de qualidade.
Depois da mobilização, fotografias de crianças que participaram da manifestação foram retiradas das redes sociais de familiares e divulgadas em páginas de extrema direita. Uma das imagens, que mostrava alunos menores de idade do Colégio Pedro II, foi manipulada com inteligência artificial (IA). Na montagem, as roupas das crianças foram alteradas para que parecessem pessoas em situação de rua, e uma bandeira de Cuba foi acrescentada.
As publicações também receberam comentários depreciativos e manifestações ofensivas contra os estudantes e seus familiares. Uma das responsáveis relatou que a divulgação das imagens provocou constrangimento e levou à retirada da fotografia original das redes sociais.
Pais procuraram a Polícia Civil e registraram boletins de ocorrência. Também foram feitas denúncias às plataformas Meta e X, mas, segundo os responsáveis, as empresas informaram inicialmente que não haviam identificado motivos suficientes para remover as publicações.
Casos após o segundo turno
A tensão política também chegou às escolas depois da votação de 25 de outubro. No Rio de Janeiro, estudantes de uma instituição particular na Barra da Tijuca tiveram fotografias divulgadas em um perfil fechado no Instagram, acompanhadas de comentários ofensivos relacionados às posições políticas de suas famílias.
Em São Paulo, foram relatados episódios de intimidação e agressões verbais contra estudantes. Em um dos casos, uma adolescente teria sido ameaçada de violência sexual por manifestar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No Paraná, uma mãe relatou que o filho, de 12 anos, foi cercado por colegas e chamado de “petista nojento”. Também foram registrados relatos de hostilidade no Distrito Federal, onde um estudante afirmou ter sofrido perseguição por apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha eleitoral. Segundo as informações divulgadas, o adolescente precisou mudar de instituição de ensino.
Atuação do MEC
O MEC informou que solicitou à Polícia Federal a investigação das ameaças direcionadas às universidades federais, estudantes e docentes. A Advocacia-Geral da União (AGU) também foi acionada para avaliar a adoção de medidas jurídicas.
Em nota, a pasta repudiou ameaças, ofensas e discriminação no ambiente estudantil e acadêmico, independentemente da motivação. O ministério ressaltou que a Constituição Federal garante a liberdade de expressão e de pensamento e que as instituições de ensino devem preservar espaços de diálogo, tolerância e respeito à diversidade de ideias.