Sábado, 31 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 30 de janeiro de 2026
Um estudo desenvolvido pela Santa Casa e pela Empresa Pública de Tecnologia da Informação e Comunicação de Porto Alegre (Procempa) confirmou o potencial da inteligência artificial Mirai, a partir de exames de mamografia, na prevenção do risco de desenvolvimento do câncer de mama. A pesquisa contou com a parceria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e apoio do Massachusetts Institute of Technology (MIT).
A instituição norte-americana é responsável pelo desenvolvimento do algoritmo utilizado na pesquisa. Foram utilizadas técnicas avançadas de aprendizado profundo (“deep learning”, em inglês) para analisar imagens mamográficas e estimar a probabilidade de uma mulher desenvolver câncer de mama nos cinco anos subsequentes.
No foco da análise estão mil exames realizados de 2019 a 2024 na Santa Casa e que demonstraram alta precisão na identificação de mulheres com maior risco para a doença. O algoritmo apresentou desempenho adequado a aplicações médicas, com capacidade consistente de diferenciar pacientes de alto e baixo risco.
Um dos principais diferenciais da ferramenta é o uso exclusivo das imagens da mamografia, sem necessidade de informações clínicas adicionais como histórico familiar ou dados laboratoriais, ampliando assim o potencial de aplicação em diferentes realidades do sistema de saúde.
De acordo com os autores, a tecnologia não substitui o diagnóstico médico, mas atua como uma ferramenta de apoio à decisão clínica. A proposta é contribuir para um rastreamento mais personalizado, permitindo acompanhamento mais próximo de mulheres com maior risco e evitando exames e procedimentos desnecessários em pacientes de baixo risco.
“Publicados em periódico científico internacional, os resultados consolidam a Santa Casa e a Procempa como instituições protagonistas na validação científica e na aplicação ética de tecnologias inovadoras em saúde no contexto brasileiro”, acrescenta o texto de divulgação.
Considerações
Para o diretor médico de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Porto Alegre, Antonio Kalil, o estudo representa um marco importante para a integração entre assistência, pesquisa e inovação:
“Este estudo reforça o papel da Santa Casa como um centro de excelência em assistência, ensino e pesquisa, comprometido com a produção de conhecimento que gera impacto real na saúde da população. Validar cientificamente uma tecnologia de inteligência artificial em nosso contexto assistencial significa dar um passo concreto rumo a um rastreamento mais preciso, equitativo e centrado na pessoa.”
A diretora-presidente da Procempa, Débora Roesler, destaca o alinhamento entre tecnologia e propósito público: “O uso da inteligência artificial para a detecção precoce do câncer de mama é um exemplo concreto de como a tecnologia pode salvar vidas quando colocada a serviço das pessoas. Na Procempa, seguimos comprometidos em desenvolver e apoiar soluções tecnológicas que fortaleçam a saúde pública e o futuro da sociedade”.
(Marcello Campos)