Sábado, 24 de janeiro de 2026

Evento em São Borja marca a abertura oficial da colheita de milho no RS

Uma cerimônia na fazenda da família Sallet, em São Borja (Fronteira-Oeste gaúcha) marcou nessa sexta-feira (23) a 13ª edição da abertura oficial da colheita de milho no Rio Grande do Sul. No foco da celebração está a safra 2025-2026, da quel aproximadamente 11% já havia sido retirada até o final da primeira quinzena de janeiro – desempenho considerado regular na região e com expectativa de melhores rendimentos nas demais áreas do Estado.

Além do governador Eduardo Leite, participaram do evento simbólico o titular da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum, além de empresários do agronegócio, líderes do segmento e técnicos rurais.

A abertura da colheita se deu em um contexo de expansão da área plantada no Rio Grande do Sul, com crescimento próximo de 10%. Na propriedade rural escolhida para o evento simbólico são cultivados 105 hectares do cereal, por meio de práticas como irrigação e rotação de culturas, que contribuem para a estabilidade produtiva e a conservação do solo.

Atualmente, o milho é cultivado em 487 dos 497 municípios gaúchos. A produção total está estimada em 5,79 milhões de toneladas, crescimento de 9,45% em relação às 5,29 milhões de toneladas da safra anterior. O avanço resulta principalmente do aumento da área plantada, que alcança 785.030 hectares, 9,3% a mais que os 718.190 hectares de 2024-2025. A produtividade média permanece estável, em torno de 7,3 toneladas por hectare.

Irrigação

O milho é a cultura que melhor responde ao uso da irrigação, com possibilidade de rendimentos 60% a 80% superiores em comparação às lavouras de sequeiro. Na região das Missões e no Noroeste, municípios como São Borja, São Luiz Gonzaga, Palmeira das Missões, Cruz Alta e São Miguel das Missões concentram as maiores áreas de milho irrigado.

A área irrigada da cultura vem crescendo e, na safra passada, somou 117 mil hectares, com produtividade média de 11 mil quilos por hectare. Esse resultado foi 63% superior à média das lavouras de sequeiro. Já os municípios de Bom Jesus, Muitos Capões, Vacaria e Venâncio Aires se destacam na produção de milho sem o uso de irrigação.

Mercado

O segmento enfrenta desafios como o alto custo de produção, a oscilação dos preços e a incidência de pragas, especialmente a cigarrinha-do-milho. O preço médio da saca no Estado está em torno de R$ 62, abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

No Rio Grande do Sul são consumidas cerca de 7 milhões de toneladas de milho por ano, mas há um déficit estrutural de produção. Isso exige a importação de grãos de outros Estados e países. Em 2024, essas aquisições resultaram em uma evasão estimada de R$ 3 bilhões da economia gaúcha.

A cultura do milho integra as ações do governo do Estado voltadas ao fortalecimento da produção agropecuária, à difusão de tecnologias, à promoção da sustentabilidade e ao desenvolvimento regional. O evento reúne produtores, técnicos, entidades e gestores públicos.

Discursos

Eduardo Leite destacou que o milho é uma cultura central para a organização da produção agropecuária e para a competitividade do Rio Grande do Sul: “É uma cadeia estratégica, que sustenta a produção de proteínas, gera renda no interior e demonstra a capacidade de resposta do produtor gaúcho quando há planejamento, tecnologia e políticas públicas consistentes”.

O secretário Brum acrescentou: “O milho tem papel estratégico na economia rural e na segurança alimentar. É base da alimentação animal e fundamental para cadeias produtivas como aves, suínos e leite, além de ser amplamente utilizado na produção de silagem”.

(Marcello Campos)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Rio Grande do Sul

Desavença política: mandante de duas mortes em bar no Interior do RS é condenado a 43 anos de prisão
Moradora aciona a Brigada Militar após suposta invasão de “lobisomem” no Sul do RS
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play