Domingo, 01 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 31 de janeiro de 2026
Um cidadão chinês que trabalhou como engenheiro de software do Google na Califórnia foi condenado por roubar tecnologia de inteligência artificial da empresa para ajudá-lo a criar uma startup em Pequim.
Um júri composto por 12 pessoas, no tribunal federal de São Francisco, considerou Linwei Ding — que fazia parte de uma equipe responsável por projetar e manter o sistema de dados do supercomputador de IA do Google — culpado de sete acusações de roubo de segredos comerciais e sete acusações de espionagem econômica. O veredicto veio após um julgamento de 11 dias.
Ding pode enfrentar até 10 anos de prisão por cada acusação de roubo de segredos comerciais e até 15 anos pela acusação de espionagem econômica.
O caso é um entre vários que surgiram nos últimos anos contra cidadãos chineses nos Estados Unidos, à medida que as tensões entre os dois países se intensificaram em meio à disputa pela supremacia tecnológica.
O escritório do procurador dos EUA também apresentou processos separados contra dois ex-engenheiros da Apple: um envolve o roubo de dados e o outro, o roubo de segredos do programa de carros autônomos da empresa.
Ding, que começou a trabalhar no Google no início de 2019, pediu demissão repentinamente em janeiro de 2024 — depois de comprar uma passagem só de ida para Pequim. Ele foi preso três meses depois.
Durante o julgamento neste mês no Tribunal Distrital dos EUA para o Norte da Califórnia, o governo apresentou provas de que o chinês, conhecido como Leon, roubou mais de 2.000 páginas de informações confidenciais da empresa em 2022 e 2023.
Segundo o governo, Ding retirou os arquivos da rede do Google e os enviou para sua conta pessoal do Google Cloud. Em seguida, apresentou a investidores a proposta de financiar uma startup que construiria um supercomputador de IA baseado na tecnologia do Google.
De acordo com as provas apresentadas durante o julgamento, Ding se candidatou a um programa patrocinado pelo governo chinês conhecido como plano de talentos, em Xangai. Na inscrição, ele afirmou que pretendia “ajudar a China a ter capacidades de infraestrutura de poder computacional que estejam no mesmo nível do padrão internacional”.
O advogado de Ding, Grant Fondo, do escritório Goodwin Procter, disse que eles ficaram decepcionados com a decisão do júri. Já os promotores federais e o Google elogiaram o júri, afirmando que o veredicto demonstra que o sistema jurídico dos EUA protege as empresas contra roubos.
“O júri enviou hoje uma mensagem clara de que o roubo dessa valiosa tecnologia não ficará impune”, afirmou em comunicado o procurador dos EUA, Craig H. Missakian.
Lee-Anne Mulholland, vice-presidente de assuntos regulatórios do Google, disse em nota: “Somos gratos ao júri por garantir que a justiça fosse feita hoje.” (Com informações do The New York Times)