Domingo, 01 de março de 2026

Ex-funcionáro do banco Master é suspeito de envolvimento em lavagem de dinheiro por meio de apostas ilegais

Ex-funcionário do Banco Master e dirigente da Tirreno, instituição financeira usada pelo banco de Daniel Vorcaro para captar R$ 12,2 bilhões em créditos falsos vendidos ao Banco de Brasília (BRB), é suspeito de envolvimento com um esquema de lavagem de dinheiro por meio de apostas ilegais. Trata-se de André Felipe de Oliveira Seixas Maia, 54 anos.

Ele atuava como principal sócio de uma empresa apontada pela Polícia Civil de São Paulo como “peça central na engrenagem financeira” de uma organização criminosa de jogos de azar ilegais. Essa atividade se dava de forma paralela aos negócios com Vorcaro.

O inquérito tramita em sigilo. De qualquer forma, a defesa de Seixas Maia alega que ele não cometeu qualquer ilícito. E que isso ficará demonstrado no decorrer da investigação.

Cronologia

O parceiro de Vorcaro deixou formalmente a intermediadora de pagamentos Silium dias após agentes da divisão contra estelionato do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) tentarem intimar os responsáveis presencialmente, na sede da empresa. A ida dos policiais ao local se deu no dia 12 de março de 2025.

Uma semana depois, André Maia e mais três sócios (dentre eles um indivíduo de nacionalidade sul-coreana) renunciaram à empresa, que mudou de nome e passou a se chamar “Nuoro Pay”. Para a polícia, as medidas “sugerem tentativa de reorganização societária ou ocultação da verdadeira estrutura de controle da empresa, possivelmente em resposta às medidas de persecução adotadas”.

Nessa época, o BRB vinha comprando carteiras de crédito do Master, mas que eram originadas pela Tirreno, empresa da qual André Maia constava como diretor — além de ter sido funcionário do Master até março de 2022.

Ele também é acusado de fornecer documentos falsos ao Banco Central, com intuito de ludibriar a autoridade monetária. Entre janeiro e maio de 2025, a Tirreno cedeu cerca de R$ 6,7 bilhões em créditos ao Master, mesmo sem históricos claros de pagamento ou movimentação bancária.

Em seguida, o Master repassou esses créditos ao BRB por R$ 12,2 bilhões (embutindo um prêmio de R$ 5,5 bilhões), valor pago pelo banco gerido pelo governo do Distrito Federal. A Polícia Federal aponta que esses créditos eram “podres” e que a Tirreno funcionou como empresa de fachada para simular créditos que, na verdade, não existiam.

O BRB anunciou a fusão com o Master no dia 28 de março de 2025. A investigação preliminar sobre bets ilegais não indica haver relação direta com as transações referentes ao Banco Master, mas pessoas próximas ao Banco Central apontam que esse braço da investigação revela o quão elaborado era o esquema, com suspeitas de crimes em diversas frentes.

Em depoimento, Daniel Vorcaro disse que fez negócios com a Tirreno porque conhecia Henrique Peretto, outro responsável pela empresa, e que não considerou o fato de a Tirreno ter sido aberta dias antes. Também disse que não checou o lastro do capital social de R$ 30 milhões alegado pela firma.

Apostas

As “bets” do suposto esquema de André Maia funcionavam com a mesma aparência e nos moldes das chinesas. Como mostrou o Estadão, elas recebem aportes de vítimas apostadoras por meio de CNPJs abertos em nomes de laranjas, dificultam saques e oferecem jogos cujos mecanismos não seguem regras básicas previstas na legislação brasileira. Os links para apostas são disseminados nas redes sociais e em aplicativos de mensagens.

Dentre os principais jogos oferecidos, estão os classificados como cassino online, como o do “Tigrinho”. A modalidade é permitida desde que oferecida por casas de apostas autorizadas pelo Ministério da Fazenda e comprove que seus mecanismos atendem requisitos de controle e de pagamento de prêmios.

A investigação aponta que a Silium/Nuoro Pay atuava como a instituição responsável pela gestão das contas bancárias de outras empresas de fachada que serviam como porta de entrada para os recursos de apostas feitas em bets ilegais.

Segundo a polícia, uma vez em posse dos recursos a empresa usava mecanismos para dificultar o rastreamento do dinheiro. Um deles era as chamadas “contas-bolsão”, que permitem o recebimento de recursos de várias origens sem necessidade de movimentação pelos titulares formais. (com informações de O Estado de S. Paulo)

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