Domingo, 04 de janeiro de 2026

Ex-motorista de ônibus, Maduro estava no poder há 12 anos na Venezuela

Capturado por forças militares dos Estados Unidos neste sábado (3) e acusado de fraudar as últimas eleições, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, estava no poder há 12 anos.

Atualmente com 62 anos de idade, Maduro nasceu em Caracas. Após concluir o ensino médio, ele trabalhou como motorista de ônibus. No fim da década de 1970, fundou um novo sindicato para representar os trabalhadores do metrô da cidade.

Depois, se tornou militante do Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), que era liderado por Hugo Chávez. Em 1992, após uma tentativa de golpe de Estado de Chávez fracassada e a prisão do líder venezuelano, Maduro ganhou fama pelo ativismo em favor da libertação de Chávez.

Maduro saiu do sindicalismo diretamente para a política. Identificando-se com a esquerda, foi um dos fundadores do partido de Chávez, o Movimento Quinta República.

Em 1999, Chávez foi eleito presidente. Naquele ano, Maduro se tornou membro da Assembleia Nacional Constituinte. Em 2000, foi eleito deputado, chegando a ser presidente da Assembleia em 2006.

Maduro deixou a Assembleia da Venezuela após ser convidado por Chávez para ser ministro das Relações Exteriores. Na época, ele já era muito próximo do então presidente. Como chanceler, Maduro se manteve fiel ao chavismo e era considerado por diplomatas uma pessoa fácil de lidar.

Em outubro de 2012, Chávez foi reeleito para um quarto mandato na Venezuela e escolheu Maduro para ser seu vice-presidente. Pouco tempo depois, o presidente se afastou do cargo para cuidar da saúde, e o vice assumiu o comando interinamente.

No fim daquele ano, em meio a uma recaída do câncer, Chávez sentenciou, em cadeia nacional: “Se algo acontecer comigo, elejam Nicolás Maduro”. Era a senha para a mudança de comando do movimento chavista.

Com a morte de Chávez, em março de 2013, novas eleições presidenciais foram feitas. Maduro foi eleito presidente por uma pequena margem de votos, derrotando o opositor Henrique Capriles.

Os anos seguintes foram marcados por instabilidade política na Venezuela. Com uma crise financeira, em 2014, as ruas do país foram tomadas por manifestantes de oposição que exigiam a saída de Maduro do poder.

Leopoldo López, que liderou as manifestações, acabou preso em 2015 acusado de incitar a violência. No mesmo ano, Antonio Ledezma, então prefeito de Caracas, também foi detido acusado de conspirar contra o governo.

A comunidade internacional passou a olhar a Venezuela com preocupação, e o país foi alvo de sanções dos Estados Unidos por violação aos direitos humanos.

Em 2016, a oposição tentou tirar Maduro do poder mais uma vez por meio de um referendo, além de organizar novos protestos. Mas o presidente conseguiu se manter no cargo com apoio da Justiça, que foi acusada de favorecê-lo.

No ano seguinte, novos protestos violentos aconteceram na Venezuela, resultando em mortes. Em julho de 2017, foi eleita uma Assembleia Constituinte com poder absoluto, substituindo o Parlamento. O chavismo venceu as eleições para governadores em outubro, e as municipais em dezembro, com a oposição denunciando fraudes.

Em 2018, a Assembleia Constituinte decidiu antecipar as eleições presidenciais, e Maduro foi reeleito. A oposição, por outro lado, boicotou a votação e alegou fraude. Estados Unidos e países da Europa e América Latina não reconheceram o resultado por falta de transparência.

O primeiro mandato de Maduro na presidência foi marcado por forte crise econômica, com retração do PIB. Em 2019, um relatório do Banco Mundial apontou a “implosão” da Venezuela devido à gestão da economia, além da queda nos preços internacionais do petróleo.

Enquanto isso, Maduro dizia que era alvo de uma perseguição imperialista, culpando os Estados Unidos e empresas pela crise que castigava o país.

Maduro concorreu ao terceiro mandato como presidente para governar o país até 2031. O pleito foi marcado por uma série de polêmicas. A sua vitória não foi reconhecida pela comunidade internacional.

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