Domingo, 22 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 22 de março de 2026
O Exército iraniano advertiu neste domingo (noite de sábado em Brasília) que atacará a infraestrutura da região do Golfo, após o presidente dos Estados Unidos ameaçar aniquilar as usinas de energia da república islâmica caso não abra rapidamente o Estreito de Ormuz.
“Se a infraestrutura iraniana de combustível e energia for violada pelo inimigo, toda a infraestrutura de energia, tecnologia da informação e dessalinização dos Estados Unidos e do regime na região será atacada”, declarou o porta-voz do comando operacional do exército, Khatam Al Anbiya, em um comunicado divulgado pela agência Fars.
O comunicado foi emitido após Donald Trump dar ao Irã um prazo de 48 horas para abrir o Estreito de Ormuz, que foi bloqueado no início da guerra no Oriente Médio.
Na última semana, Trump criticou aliados pela recusa em se juntarem a uma ofensiva militar no estreito, e se vê sem opções efetivas para garantir a passagem dos navios.
“Se o Irã não ABRIR COMPLETAMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz, dentro de 48 HORAS a partir deste exato momento, os Estados Unidos da América atacarão e destruirão suas diversas USINAS ELÉTRICAS, COMEÇANDO PELA MAIOR!”, escreveu Trump em sua rede social, o Truth Social.
O presidente não deu detalhes sobre seus potenciais alvos. Hoje, a maior unidade de produção de energia no Irã é o complexo termoelétrico de Damavand, que serve Teerã — a matriz energética local é composta quase que totalmente por fontes fósseis, como petróleo e gás. Contudo, o ultimato deixa transparecer a irritação de Trump com a ineficácia de sua estratégia para romper o bloqueio imposto pelos iranianos no Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção global de petróleo e gás.
Neste sábado, as Forças Armadas americanas afirmaram ter atingido um bunker de armazenamento de armas na costa do estreito, e que seria usado pela Marinha e pela Guarda Revolucionária para controlar o tráfego de navios. Dentro da estratégia iraniana, são usados barcos de pequeno porte, foguetes, drones e minas navais para bloquear as rotas.
Desde o início do bloqueio, o tráfego de petroleiros e navios de transporte caiu 95% em Ormuz, e apenas algumas embarcações receberam autorização dos iranianos para passar. Grandes empresas de navegação e seguradoras internacionais cancelaram viagens e apólices, e mesmo que a área fosse liberada imediatamente, seriam necessárias algumas semanas até que a situação fosse normalizada.
O fechamento prolongado contribui em grande parte para a disparada dos preços do petróleo nos mercados internacionais, com o barril do tipo Brent se aproximando da marca dos US$ 120 na última semana. Para Trump, que em novembro enfrentará eleições legislativas que podem definir seus últimos dois anos no poder, a alta dos combustíveis é um fator de risco, ainda mais em uma campanha já marcada pelo debate sobre o elevado custo de vida no país.
(Com O Globo)