Sexta-feira, 13 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 13 de março de 2026

A Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, transformou-se nesta sexta-feira (13) em espaço de resistência e articulação política em defesa da cadeia produtiva do leite. Produtores rurais, prefeitos, vereadores, parlamentares e representantes de entidades se reuniram para discutir a crise que ameaça milhares de famílias gaúchas e apoiar o Projeto de Lei nº 412/2025, de autoria do deputado estadual Paparico Bacchi (PL), que busca proibir a reidratação de leite em pó importado para uso industrial ou alimentício no Rio Grande do Sul.
O presidente da Cotrijal, Nei César Manica, abriu o encontro destacando a relevância do tema: “A Expodireto sempre foi um espaço para debater os grandes desafios do agro. O leite é atividade fundamental para milhares de famílias e iniciativas como essa são importantes para fortalecer a cadeia produtiva.”
A cadeia do leite movimenta cerca de R$ 9,5 bilhões por ano no Estado, presente em 451 municípios e sustentada por 28 mil propriedades, em sua maioria familiares. Nos últimos dez anos, mais de 55 mil famílias abandonaram a atividade, reduzindo o número de produtores de 84 mil para menos de 29 mil. O avanço das importações de derivados lácteos, especialmente o leite em pó, é apontado como um dos principais fatores da crise. Do ponto de vista técnico, 1 kg de pó pode gerar até 8 litros de leite líquido, ampliando a oferta e pressionando os preços pagos ao produtor.
“O que está acontecendo hoje é concorrência desleal. O produtor enfrenta custos altos e precisa competir com leite importado em condições diferentes. Precisamos proteger quem produz no campo”, afirmou Bacchi.
Representando os agricultores, Rosângela Castelli reforçou a mobilização: “Essa é uma pauta difícil para quem está no campo. Agradecemos ao deputado por abraçar essa causa e abrir o debate em defesa dos produtores.”
O presidente da Associação dos Produtores e Empresários Rurais (APER), Arlei Romeiro, destacou que audiências públicas têm sido fundamentais para aperfeiçoar o projeto e evitar brechas legais. Já o suplente de senador Ireneu Orth alertou para a redução no número de produtores e a necessidade de maior valorização do setor primário. O senador Luis Carlos Heinze (PP) reforçou a importância da união entre produtores e lideranças políticas para enfrentar os desafios.
Representantes da indústria também participaram. O presidente do Sindilat afirmou que a entidade não é contrária à proposta, mas defendeu a construção de uma solução equilibrada para toda a cadeia.
Durante o encontro, entidades sugeriram ampliar a proibição para incluir composto lácteo, soro de leite em pó e outros derivados importados, além de impedir seu uso em bebidas lácteas. O projeto tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa e aguarda relatoria do deputado Bonatto.
Ao final, Bacchi garantiu que as contribuições serão incorporadas: “Nosso compromisso é construir uma lei forte e efetiva, que realmente proteja a produção gaúcha e torne a vida dos produtores melhor.”
A Expodireto, mais uma vez, mostrou que não é apenas vitrine tecnológica, mas espaço de mobilização política e social. O futuro da atividade leiteira no RS dependerá da capacidade de transformar esse debate em legislação robusta e políticas públicas que assegurem a sobrevivência da agricultura familiar diante da concorrência externa. (por Gisele Flores – Gisele@pampa.com.br)