Sábado, 14 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 13 de março de 2026
Uma cerimônia realizada no Presídio Estadual de Sarandi (Noroeste gaúcho) marcou, nessa sexta-feira (13), a inauguração de uma fábrica de calçados no interior da instituição. Idealizado pela Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) do Rio Grande do Sul em parceria com empresa Beira Rio e o atelier de costura Maeve, o espaço tem capacidade para 50 trabalhadores.
O evento foi, na verdade, apenas a formalização de uma iniciativa que já está em curso: oito detentos do regime fechado já desempenham a atividade no local, que passou a funcionar recentemente em um anexo do prédio. De acordo com o governo gaúcho, trata-se de uma iniciativa que amplia as oportunidades de qualificação profissional dos apenados, contribuindo para sua ressocialização por meio do trabalho.
Apenados trabalhadores recebem os benefícios previstos em lei. Isso inclui remuneração de até 75% do salário-mínimo e redução da pena.
O espaço de 100 metros-quadrados onde está a fábrica teve sua conclusão em aproximadamente 90 dias. Conta com máquinas de costura, equipamentos de corte e viragem, esteira de produção e demais dispositivos empregados na indústria calçadista. Também foram feitas adequações estruturais, como a conexão entre a ala da fábrica e o restante do estabelecimento prisional, permitindo maior segurança na movimentação dos custodiados.
“O novo ambiente foi estruturado para oferecer melhores condições de trabalho às pessoas privadas de liberdade, contribuindo para a promoção da dignidade no cumprimento da pena, para o fortalecimento das políticas de ressocialização e para a reinserção social dos apenados”, ressalta a SSPS.
A iniciativa recebeu investimento em torno de R$ 100 mil, provenientes de recursos das Comarcas de Sarandi e de Constantina, bem como da prefeitura de Sarandi, verbas mensais da Delegacia Regional da Polícia Penal e materiais fornecidos pela parceira.
Origem
No ano passado, a Polícia Penal (vinculada à SSPS) implantou o programa “Mãos que Reconstroem”, criado após o governador Eduardo Leite assinar ordem de serviço autorizando o apoio de mão-de-obra carcerária na construção de 28 leitos de unidade de terapia intensiva (UTI).
“Lá eu fiquei sabendo que 90% do hospital estava sendo feito dentro dos presídios”, relatou durante a cerimônia dessa sexta-feira o titular da SSPS, Jorge Pozzobom. “Esse trabalho aqui também é um fortalecimento, porque ajudará os apenados quando ganharem novamente a liberdade. Já criamos 2.170 vagas de trabalho, por acreditar na ressocialização por meio do trabalho. Todo recomeço merece uma oportunidade.”
Para a diretora do Departamento Técnico e de Tratamento Penal, Rita Leonardi, projetos como este representam um avanço na construção de alternativas concretas para a reintegração social dos apenados:
“Quando a Polícia Penal oportuniza trabalho dentro das unidades prisionais, ela está oferecendo dignidade, qualificação profissional e novas perspectivas de futuro. Parcerias como esta demonstram que, com o envolvimento do poder público e da iniciativa privada, é possível criar caminhos reais para a ressocialização e para a redução da reincidência”.
Conforme a delegada da 4ª Região, Manuela Peliciolli, a fábrica é uma conquista significativa: “Além de ampliar as oportunidades de trabalho, ela oferece qualificação profissional e contribui para que os apenados retornem à sociedade com novas perspectivas. É um projeto que reforça nosso compromisso com a segurança e com a ressocialização”.
Linha de produção
A Beira Rio começou a utilizar a mão de obra prisional há três anos. Desde então, já montou nove linhas de produção, contando com de Sarandi. Gerente industrial da empresa, Sandro da Silva acrescenta:
“Vivemos um colapso de mão-de-obra. Com a ajuda da Polícia Penal, quebramos um paradigma e estamos mostrando que o trabalho prisional é uma solução, além de ajudar os apenados com renda, qualificação e ocupação da mente. É um projeto enriquecedor sob muitos aspectos e que muito orgulha a Beira Rio. Nos próximos dias, chegaremos a 600 apenados atuando em nossas linhas de produção”.
(Marcello Campos)