Quinta-feira, 05 de março de 2026

Fábula Cavalheiros ou Cavaleiros

“Teresinha de Jesus deu uma queda e foi ao chão. Acudiram 3 cavalheiros todos de chapéu na mão…”
O final da música, tanto dos versos das rodas de criança, quanto da linda canção de Chico Buarque, teve um final feliz, Teresinha foi salva, encontrou o seu afeto. No entanto, ela se veria em maus lençóis se os personagens fossem outros. Ela pôde escolher, dois não eram do mal, o terceiro do bem.

E nós? Ao contrário da música, nem mesmo fomos acudidos por cavalheiros. Fomos nos abrigar na nossa Constituição, instrumento que escolhemos prá nos proteger e que nos assegurou três poderosas pernas independentes e harmônicas entre si. Será? Um tropeço e fomos recepcionados pelo errático Legislativo, um caso raro em que uma minoria de piores suplantam uma maioria de melhores.

Do outro lado, um Executivo que perdeu o rumo e não consegue sinalizar ao país um caminho, qualquer que seja ele. Por último, restou a esperança no ponto de equilíbrio, o Judiciário, mas ele nos negou o que mais estamos precisando, luz e justiça isenta. Assim, enquanto a magistratura está gritando em silêncio, uns poucos integrantes dela ditam um caminho onde a ética, a força da lei e a segurança jurídica são tratadas de acordo com a conveniência, desnecessário apontar. Está posto.

Teresinha de Jesus e nós, personagens deste texto que não deveria ser escrito, ficamos sós, viúvos sem termos casado, nem mesmo temos certeza de receber a pensão ou aposentadoria, levada pelo Careca do INSS, que se locupletou com conhecidos do noticiário presente. Tentaram nos passar a perna? Tenho certeza que sim. Teresinha de Jesus ao menos teve três cavalheiros, nós nem cavaleiros. Mas como é uma fábula, vai passar. O episódio do banquinho Master vai levar muita gente pro brejo.

Quem sabe contribuir pra depurar o Brasil? Em algum momento, a história é sábia e sempre nos ensina, nós faremos o que eles deveriam fazer e não fizeram. Aí não será mais uma fábula, mas uma manifestação concreta da sociedade. Ela só reflete o cidadão de bem, quando ele não quer o sinal está dado.

* Eduardo Battaglia Krause é advogado e escritor

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