Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de janeiro de 2026
O excesso de conexões digitais tem obrigado o consumidor a um “reset sensorial”, e as empresas precisam abrir espaço para ele se sentir “desconectado e revigorado”. Ou seja, é preciso tirar o estresse da compra, e da relação com ele, durante e após a venda, urgentemente. A análise é da chefe da área de marketing, insights e eventos da WGSN, Cassandra Napoli.
“Em um mundo conectado, os maiores disruptores podem ser as coisas que nos reconectam com o que podemos ver, cheirar, ouvir, saborear e tocar”, informou o material que suportou a apresentação da executiva durante a NRF 2026 Retail’s Big Show, em Nova York.
A WGSN, uma das maiores autoridades em análises de comportamento e tendências do mundo, cita a superexposição a estímulos que os compradores vivem hoje, o que tende a levar à fadiga digital, e diz que isso pode dar lugar à apatia emocional dos consumidores.
Napoli disse que, nos próximos dois anos especialmente, por conta desses cenários de estímulos nas redes sociais, o despertar dos sentidos será uma estratégia de negócios crucial.
Para tentar acertar esse passo, a consultoria faz algumas orientações em seu material e fala em explorar os sentidos básicos para diferenciar produtos e serviços.
Fadiga digital
Dentro dessa linha, em uma apresentação na NRF, como mostra o Valor Econômico, executivos do Retail Design Institute (RDI), órgão americano de design do setor, mostraram uma lista de duas dezenas de lojas nos EUA que têm buscado fazer algo, em parte, nessa direção. Detalhes das lojas foram debatidos um a um.
Entre essas empresas estão a rede francesa Printemps (primavera, em francês), na lista de visitas da maioria dos CEOs brasileiros presentes na feira e ouvidos pela reportagem. Também estão nesse grupo a miniloja de cafés expressos da Starbucks (de 25 metros quadrados), uma nova pop-up da rede de móveis Ikea, e os produtos da americana Skims.
Trata-se da empresa de modeladores corporais de Kim Kardashian, lançada em 2019, com “valuation” de US$ 5 bilhões e vendas anuais de US$ 1 bilhão. A marca, que poderia ser vista como algo ultrapassado – já que vende uma lingerie que modela curvas – apropriou-se do conceito de liberdade, de cada um deseja ser o que quiser, da forma do corpo ao tom da pele.
Para o RDI, em todos os casos de lojas apresentados, há uma necessidade de se destacar para bem além das mercadorias das lojas.
“Cerca de 78% dos consumidores dizem que estão esgotados com a quantidades de produtos que existem hoje à venda. Consumidores querem ser guiados por boas experiências, querem se sentir valorizados e não sobrecarregados”, disse na sessão Cynthia Ortiz, presidente do RDI.
Ainda de acordo com Napoli, da WGSN, haverá uma mudança na forma como o mercado irá encarar a inteligência artificial.
A tecnologia se tornará parte integrante do cotidiano, não sendo “nem um milagre nem uma ameaça”, segundo a executiva. “Passará de um grande agente de mudança para parte da infraestrutura cotidiana das empresas”, disse ela, e se afastará mais daquele temor de substituir pessoas para uma ideia mais consolidada de aprimorá-las. As informações são do Valor Econômico.