Segunda-feira, 30 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 29 de março de 2026
A convite do Ministério das Relações Exteriores, familiares da brasileira Letícia Oliveira Alves, falecida nos Estados Unidos em circunstâncias ainda não totalmente elucidadas, foram a Brasília buscar apoio para o traslado do corpo ao Brasil. O encontro, no entanto, terminou sem a solução esperada: o Itamaraty informou que não custeará a despesa, por questões regumentares.
Natural de Goiânia (GO) e com 36 anos, Letícia era formada em Química pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e com mestrado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), onde também iniciou um doutorado. Ela deixou uma filha de 12 anos e que permaneceu aos cuidados da avó.
O corpo dela foi encontrado em abril de 2024, em área de floresta na província de Quebec, no Canadá, próxima à fronteira com os Estados Unidos. Autoridades locais trabalham com a hipótese de que a goiana tenha morrido após exposição prolongada ao frio intenso e falta de alimento.
Pescadores localizaram o corpo na cidade de Coaticook. Não havia sinais aparentes de violência, aspecto que reforça a principal linha de investigação aponta óbito por hipotermia.
Letícia estava desaparecida desde dezembro de 2023, quando interrompeu o contato com a família após passar pelos Estados Unidos. Ela chegou a ser incluída na Difusão Amarela da Interpol. A identidade ó foi confirmada em fevereiro passado, embora o corpo tenha sido encontrado em abril de 2024.
Segundo informações reunidas pelas órgãos oficiais, Letícia deixou o Brasil em 2023 e passou por países da América do Sul antes de seguir para os Estados Unidos. Ela teria ingressado no país em janeiro de 2024 e permanecido sob custódia de autoridades migratórias por cerca de três meses.
Após ser liberada, não houve mais contato com a família. Meses depois, o corpo foi localizado em uma área de mata na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá. As circunstâncias da morte permanecem sob investigação.
Angústia
Conforme o Itamaraty, o transporte de restos mortais de brasileiros falecidos no exterior é bancado pelo governo federal apenas em situações excepcionais, conforme critérios previstos em legislação específica. E que cada pedido é analisado individualmente.
Para os parentes, a reunião representava uma esperança após meses de incerteza e tentativas de obter apoio institucional. Agora, segundo o irmão da vítima, Fabrício Oliveira Alves, a família terá de arcar com os custos e ainda aguardar a conclusão de etapas burocráticas no Canadá, como a finalização do registro da certidão de óbito, necessária para viabilizar o traslado – ainda sem previsão.
A confirmação da morte encerrou mais de dois anos de buscas, mas não trouxe respostas definitivas para a família. Em entrevista ao jornal “O Globo”, Fabrício relatou que a falta de informações ao longo do período agravou o sofrimento: “Foi um tempo de muita angústia. As informações eram desencontradas, e a gente não conseguia saber onde ela estava ou o que tinha acontecido”.
Ainda segundo ele, o último contato com Letícia ocorreu no fim de 2023. Depois disso, mensagens e ligações deixaram de ser respondidas: “Depois disso, nunca mais obtivemos retorno”.
A família registrou o desaparecimento e passou a buscar informações com autoridades brasileiras e estrangeiras. Durante as investigações, surgiram relatos de que Letícia teria sido detida nos Estados Unidos entre janeiro e abril de 2024, antes de desaparecer novamente.
“Disseram que ela estava em um lugar onde não queria contato com a família. Depois, que tinha sido presa. Mas nunca conseguimos confirmar nada diretamente com ela”, acrescentou o irmão. Para ele, o caso ainda deixa lacunas: “Permanecem a saudade e a inquietação. Não teremos paz até entender o que realmente aconteceu”.
Nota
O Itamaraty declarou à reportagem: “Informa-se que, em caso de falecimento de cidadão brasileiro no exterior, as Embaixadas e Consulados brasileiros podem prestar orientações gerais aos familiares, apoiar seus contatos com o governo local e cuidar da expedição de documentos, como o atestado consular de óbito, tão logo terminem os trâmites obrigatórios realizados pelas autoridades locais.
O traslado de restos mortais de brasileiros falecidos no exterior realiza-se apenas em situações excepcionais e devidamente motivadas. As ações deste Ministério se fundamentam no disposto no art. 257 do Decreto nº 9.199/2017 e no Decreto nº 12.535/2025”. (com informações de O Globo)