Quarta-feira, 25 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de março de 2026

Adriano Borghetti assume a entidade destacando fortalecimento da representatividade das cooperativas agropecuárias gaúchas
A Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS) elegeu, por aclamação, em assembleia realizada em Cruz Alta, o produtor rural Adriano José Borghetti como presidente para o triênio 2026–2029. Ele sucede Paulo Pires, que esteve à frente da entidade por quatro mandatos consecutivos e passa a ocupar a vice-presidência. A escolha marca a continuidade administrativa, mas também abre espaço para uma nova liderança que promete reforçar a representatividade das cooperativas agropecuárias gaúchas em um cenário de desafios crescentes para o setor.
A eleição por aclamação, sem disputas internas, foi interpretada como sinal de unidade e coesão entre as cooperativas. Esse gesto reforça a confiança em uma liderança que emerge da base e que carrega consigo a experiência de quem vive o dia a dia da produção. Borghetti, de 43 anos, conduz propriedade familiar voltada à produção de grãos na região do Alto Jacuí e acumula trajetória institucional relevante. Associado à Cotrisoja desde 2005, presidiu a cooperativa em 2016 e hoje exerce funções de vice-presidente e diretor comercial, atuando diretamente nas áreas de negócios de grãos e insumos. Também integra o conselho fiscal do Sescoop/RS e a vice-presidência da Cooperativa Central de Serviços Agropecuários (CCSA).
Na posse, Borghetti destacou o papel estratégico da federação: “Assumimos essa responsabilidade com o propósito de representar, de forma ainda mais próxima, as necessidades das cooperativas e dos produtores. O cooperativismo agropecuário gaúcho tem força, tem história e a FecoAgro/RS é um ponto de convergência do nosso segmento.” Ele também fez questão de reconhecer o trabalho das lideranças anteriores, reforçando o compromisso de dar continuidade ao legado construído: “Vamos avançar com base na experiência acumulada, ouvindo as cooperativas e fortalecendo ainda mais a nossa representatividade.”
A nova diretoria mantém nomes de peso no setor, como Alexandre Guerra (Santa Clara), Claudimir José Piccin (Campal), Caio Cezar Fernandez Vianna (CCGL), Tiago Sartori (Cotripal), Nei César Mânica (Cotrijal) e Luís Fernando Sossella (Cotapel). No Conselho Fiscal, Gelson Bridi (Cotricampo), Renato Severo de Almeida (Agropan) e Rudinei Luis Richter (Coagril) reforçam a pluralidade de vozes. Essa composição evidencia a busca por equilíbrio entre renovação e continuidade, característica que tem marcado a FecoAgro/RS ao longo de sua história.
O contexto atual exige mais do que estabilidade. O cooperativismo gaúcho responde por parcela significativa da produção de grãos e proteína animal do Estado, movimentando bilhões de reais e gerando milhares de empregos diretos e indiretos. A nova gestão terá de enfrentar temas como instabilidade climática, necessidade de modernização logística, ampliação da competitividade internacional e adaptação às exigências de sustentabilidade. O fortalecimento da representatividade institucional é visto como prioridade, especialmente em pautas como crédito rural, políticas públicas de apoio ao agro e defesa de interesses junto a governos e mercados.
A sucessão tranquila foi interpretada como sinal de maturidade política do setor. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o futuro das cooperativas passa por integração digital, maior profissionalização da gestão e ampliação da presença em mercados externos. A continuidade administrativa garante estabilidade, mas Borghetti sinaliza disposição para ampliar o diálogo e modernizar práticas, sem perder de vista a essência do cooperativismo: a valorização dos associados e a construção coletiva de soluções.(por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)