Quinta-feira, 23 de abril de 2026

Fernando Zancan: “É preciso repensar a situação do carvão no Rio Grande”

A emergência energética mundial exige uma nova discussão sobre o carvão mineral, e isso leva a repensar a situação do carvão no Rio Grande do Sul. A avaliação foi feita ontem pelo presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável (ABCS), Fernando Luiz Zancan. Engenheiro de Minas graduado pela UFRGS, ele conhece processos de industrialização do carvão do mundo inteiro e propõe que o Rio Grande do Sul estabeleça uma Política Estadual de Mineração, com ênfase para a criação do Plano Gaúcho de Industrialização do Carvão de Baixo Carbono, inclusive com a reativação da mina Leão 2, onde já foram investidos R$ 1 bilhão e nunca produziu nada.

Ele conversou com o jornalista Flavio Pereira, em Porto Alegre, destacando que o Rio Grande do Sul possui 89% das reservas de carvão no país e tem hoje uma oportunidade histórica de aproveitar um de seus recursos mais abundantes para recuperar sua economia.

Nenhum país ou Estado, tendo um único recurso mineral desse tamanho, pode ignorar esse potencial”, afirma Zancan.

Após a aprovação da Lei 15.269/2025 e a recente autorização para a renovação da licença de Candiota, abre-se uma janela estratégica para reposicionar o carvão gaúcho como alavanca de uma transição energética justa, tecnológica e economicamente sustentável.

Na contramão de países desenvolvidos, o Estado, empobrecido, não pode desprezar por ignorância essa riqueza. A COP30 reconheceu e ratificou o que está escrito no Acordo de Paris — a necessidade de redução das emissões —, mas indicou que a transição precisará ocorrer de forma gradual, escalonada e realista, levando em conta a segurança e a emergência energética e as realidades regionais”, destaca o presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável.

Presidente da FNP, Sebastião Melo, diz que impacto do fim da tabela 6×1 será nos terceirizados

O presidente da Frente Nacional dos Prefeitos, Sebastião Melo, revelou ontem, na entrevista que concedeu na Federasul, que a FNP encomendou um estudo para avaliar o impacto do fim da tabela 6×1 nas gestões municipais. Até agora, 40 prefeituras responderam à consultoria, e o impacto negativo estimado preliminarmente já chega a R$ 30 bilhões. Melo explica que o eventual fim da tabela não vai impactar os servidores públicos, mas os terceirizados.

No caso de Porto Alegre, tenho exemplos concretos na área da saúde, de contratos que serão impactados caso seja extinta a tabela 6×1, afirmou Melo.

Pauta do fim da jornada 6×1 avança na Câmara

Ontem, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. A decisão reconhece a constitucionalidade da proposta e permite que ela siga para a criação de uma comissão especial, onde será analisado o mérito da mudança. A pauta é tratada pelo governo Lula como fundamental para reverter o viés de impopularidade no processo eleitoral.

Governo Trump diz que Brasil mentiu ao anunciar acordos que não foram firmados

O Governo Trump anunciou que o governo brasileiro passou do ponto ao anunciar uma suposta parceria recente entre os dois países. A primeira delas teria ocorrido em 10 de abril, quando a pauta era a fiscalização do porto de Santos para combate a armas e drogas, quando nenhum acordo foi assinado, mas o governo brasileiro anunciou um entendimento entre os dois países.

O outro equívoco do governo brasileiro, segundo os EUA, aconteceu em 13 de abril, quando Lula anunciou a prisão de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, como fruto de uma ação de cooperação internacional. Em resumo: segundo os EUA, o governo brasileiro mentiu.

Logo em seguida, o governo Trump negou credenciais de serviço do delegado da PF, Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto à imigração americana, confirmando uma investigação para apurar suposta manipulação do sistema do ICE (Immigration and Customs Enforcement) no caso que envolveu a detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. Ontem, o Brasil, na sua linha de anão diplomático, anunciou uma vergonhosa ação equivocada de reciprocidade, descredenciando um delegado dos EUA que atuava junto à imigração brasileira.

A nova pesquisa Brasmarket aponta liderança de Zucco em todos os cenários para o governo do Estado

A pesquisa eleitoral divulgada pela Brasmarket ontem aponta Luciano Zucco (PL), da coligação Força Gaúcha, na liderança das intenções de voto para o governo do Rio Grande do Sul em todos os cenários contra os demais pré-candidatos. Zucco aparece com 35,5%. Eleitores que não souberam ou preferiram não responder, somando 24,5%. Em seguida, Juliana Brizola (PDT) registra 20,6% das intenções de voto. Votos em branco ou nulo chegam a 13,7%. Entre os demais candidatos, Gabriel Souza (MDB) tem 4,7%, enquanto Marcelo Maranata (PSDB) soma 1,0%. Em um eventual segundo turno, Zucco alcança 40,0% das intenções, contra 31,4% de Juliana.

Investimento da CMPC no Rio Grande do Sul segue ameaçado

O diretor-geral da CMPC no Brasil, Antonio Lacerda, já admitiu em entrevistas que existe o risco concreto de suspensão do investimento de R$ 27 bilhões que inclui uma fábrica, terminal portuário e outras estruturas no Rio Grande do Sul. A novela ganhou um novo capítulo ontem, depois que a Fepam pediu nova prorrogação para avaliar pedido do MPF (Ministério Público Federal) de adiar licença à CMPC, até que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) se manifeste. A exigência não teria constado da lista inicial apresentada à empresa. (Por Flavio Pereira – Instagram: @flaviorrpereira)

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