Domingo, 11 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de janeiro de 2026
Detentor de milhares de 180 mil hectares de terras agriculturáveis na Venezuela, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) saiu em defesa do ditador Nicolás Maduro, preso no fim de semana pelos Estados Unidos, durante uma operação militar que bombardeou diferentes pontos do país. A posição foi divulgada por meio de nota oficial, na qual o movimento classifica a ação americana como ilegal e violadora da soberania venezuelana.
Segundo o movimento, a ação ordenada por Donald Trump foi um “sequestro” e deve ser denunciada como “um ataque criminoso do imperialismo estadunidense à Venezuela”. O MST afirma que a operação não pode ser enquadrada como iniciativa de promoção da democracia, mas sim como uma agressão direta a um Estado soberano da América Latina.
“O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reafirma sua solidariedade ao povo venezuelano e denuncia o governo Trump por seus atos de guerra”, diz o MST. No texto, o movimento também faz referência aos impactos da ação militar sobre a população civil e sobre a estabilidade regional, sem entrar em detalhes operacionais sobre os ataques.
O movimento liderado por João Pedro Stedile diz que o presidente dos Estados Unidos “se tornou o maior pirada da atualidade” ao coordenar ações militares que, segundo o MST, miram assumidamente as reservas de petróleo do país. A nota sustenta que os interesses econômicos estariam no centro da ofensiva americana, especialmente em relação aos recursos energéticos venezuelanos.
“O ataque de sábado é uma ação de guerra e de saque. Os sequestros de navios petroleiros nas últimas semanas evidenciaram que o único interesse dos EUA não é por ‘democracia’ ou ‘liberdade’, mas por petróleo. Trump se tornou o maior pirata da atualidade. Não suficiente, também sequestraram o presidente Nicolás Maduro”, diz o movimento. A declaração utiliza linguagem dura e associa diretamente a operação militar à disputa por recursos naturais.
O MST mantém, há anos, relações políticas e institucionais com o governo venezuelano e desenvolve projetos agrícolas no País, especialmente voltados à produção de alimentos e à cooperação entre movimentos camponeses. A posse de terras agriculturáveis na Venezuela é frequentemente citada como parte dessa cooperação, embora o movimento não detalhe, na nota, como a prisão de Maduro pode afetar essas iniciativas.
Além das críticas aos Estados Unidos, o movimento afirma que acompanha a situação no terreno e busca garantir a segurança de seus integrantes. O movimento diz ainda que os estudantes, militantes e dirigentes que cumprem tarefas na Venezuela estão em segurança e em locais que não foram atacados. Segundo o MST, não houve registro de feridos entre seus membros. (Com informações da revista Veja)