Sexta-feira, 15 de maio de 2026

Fim da escala 6×1: a maioria dos trabalhadores formais do Brasil tem uma jornada laboral superior a 40 horas semanais

A maioria dos trabalhadores formais no Brasil tem uma jornada laboral superior a 40 horas semanais, com quase 6 em cada 10 funcionários CLT atuando sob esse regime. Ao todo, 35 milhões de pessoas têm uma jornada de trabalho entre 41 e 44 horas semanais, segundo dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais).

Em termos absolutos, o número de empregados sob regime superior a 40 horas por semana cresceu 13,7% desde 2017, segundo a Rais. Mas, como o crescimento ficou abaixo da média geral, a proporção de funcionários em escala alongada já foi maior e caiu nos últimos nove anos.

Em 2017, eles eram 66,5% do total de funcionários do mercado de trabalho formal, percentual que caiu para 58,3% em 2025.

O saldo de empregos formais cresceu em média 29% no período.

O contingente de trabalhadores formais que mais cresceu entre 2017 e 2025 foi o que tem jornada semanal de 31 a 40 horas semanais. Neste caso, o aumento foi de 75% no total de trabalhadores.

Os novos dados da Rais foram divulgados na quarta-feira (13). O governo tenta aprovar, neste momento, uma proposta de limitar a jornada a 40 horas semanais, o que tem sido chamado de fim da escala 6×1 nas redes sociais.

Jornada e escala de trabalho, no entanto, são temas diferentes, embora se interliguem. Hoje, a Constituição Federal prevê uma jornada laboral de no máximo de 44 horas por semana, com o limite de oito horas diárias de trabalho.

A PEC pelo fim da escala 6×1 em tramitação na Câmara dos Deputados propõe uma jornada máxima de 40 horas semanais, além de um repouso remunerado semanal de dois dias. O texto, relatado pelo deputado Léo Prates (Republicanos-BA), está em discussão e poderá propor um período de transição para que a nova jornada seja implementada, com redução para 42 horas semanais em 2027 e para 40 horas em 2028. Esses parâmetros, no entanto, não estão fechados.

Na quarta, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), fechou um acordo para votar a PEC e também um projeto de lei do governo sobre o tema, que é uma das apostas do presidente Lula para esta eleição, como mostrou a Folha de S.Paulo.

O tema teve repercussão ampliada desde 2024, o que impulsionou parte do empresariado a adotar a redução da escala e da jornada de trabalho sem depender da aprovação de um projeto no Congresso.

Conforme a Folha, há varejistas testando a escala 5×2 e constatando vantagens como maior atração de candidatos e redução da rotatividade, mas também desafios operacionais, como o aumento de custos.

Segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), profissionais com jornada de trabalho de 44 horas semanais têm salário 57,7% menor, em média. Isso em comparação aos que trabalham 40 horas semanais.

A diferença seria explicada pela baixa escolaridade, já que mais de 83% dos vínculos de quem tem jornada de 44 horas são de pessoas com o ensino médio completo.

Para Luciana Ferreira, professora e pesquisadora da FDC (Fundação Dom Cabral), a desaceleração do número de contratos com mais de a 40 horas por semana mostra que o mercado de trabalho já vem se movendo, mesmo que lentamente, para uma redução de jornada.

“Empresas podem ter percebido que jornadas longas têm retorno marginal decrescente, impactando produtividade negativamente, aumentando turnover e até mesmo afastamentos. Nesse contexto, talvez tenha ficado mais barato contratar mais gente em jornadas menores do que pagar adicional noturno, hora extra e arcar com adoecimento.”

Um dos motivos foi a reforma trabalhista de 2017, que mudou a negociação entre trabalhadores e empresários e deu tração à redução de jornada via convenção coletiva.

No entanto, essas mudanças deixam de lado os trabalhadores informais, que não estão contemplados nos dados da Rais – restrita ao mercado formal – e muitas vezes têm jornadas mais longas, segundo a professora.

“Os dados explicam por que a pauta ganhou tração. A escala 6×1 hoje está concentrada em setores que empregam a parcela mais vulnerável da força de trabalho, com menor poder de barganha individual. Enquanto o emprego formal foi reduzindo jornadas via convenção coletiva e novas formas de contratos, muitos empregados seguem sujeitos à informalidade ou a contratos de 44 horas.” (Com informações da Folha de S.Paulo)

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