Domingo, 25 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de outubro de 2026
A aprovação do fim da escala 6×1 pelo Congresso pode acelerar mudanças na economia e causar impactos ainda não mensurados no mercado de trabalho brasileiro. A incorporação de novas tecnologias que, por exemplo, permitam ao consumidor fazer compras sem o auxílio de operadores de caixa pode se tornar o “novo normal” e, eventualmente, se estender a outros tipos de serviços em todo o País.
Não se trata de exagero. Uma indústria de Diadema (SP) especializada em caixas de autoatendimento para supermercados, atacados e atacarejos está trabalhando dobrado para atender à demanda. A empresa dobrou a produção de um ano para o outro e está com 3 mil pedidos em carteira, e isso tudo antes de a emenda constitucional ser promulgada.
Ainda são poucas as empresas que oferecem tecnologia amigável e moderna o suficiente para dispensar interferência humana na finalização de compras. No entanto, basta frequentar supermercados das grandes capitais para verificar o crescimento das áreas de autoatendimento e observar como um único operador é capaz de auxiliar vários clientes simultaneamente.
Com a mudança na escala de trabalho, quem não tem capital de giro nem acesso a crédito barato simplesmente reduzirá o horário de funcionamento de seus negócios e repassará o aumento de custo ao consumidor. Mas quem está em situação mais confortável e ainda hesitava em testar essa tecnologia em seus negócios ganhou um impulso adicional pela primeira opção. A mão de obra, que já está escassa, vai encarecer ainda mais com a redução da jornada, enquanto as despesas para aquisição ou aluguel desses equipamentos podem até ser elevadas no curto prazo, mas tendem a cair conforme sua massificação.
A bem da verdade, o Brasil já está bastante atrasado em relação a outros países. Se por aqui a automação ainda engatinha e o número de entregadores que prestam serviços por meio de aplicativos disparou, entregas feitas por drones e carros automatizados já são realidade em alguns lugares dos Estados Unidos e da China. O autoatendimento no comércio é regra há anos, assim como serviços mais simples, como o abastecimento de veículos em postos de combustíveis e o despacho de bagagens em aeroportos.
A tecnologia, a automação e a inteligência artificial podem transformar a economia e alavancar nossa produtividade, mas não virão sem dores nem consequências. Essa transformação eliminará milhões de empregos de baixa qualificação, que são justamente os que mais têm crescido, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os novos postos de trabalho que surgirão a partir dessa revolução tecnológica exigirão um nível de escolaridade e de treinamento que a grande maioria dos trabalhadores brasileiros, por ora, não tem. De que forma o País lidará com isso é uma incógnita. Mas esse é um problema que fica para depois das eleições. (Com informações de O Estado de S. Paulo)