Terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 20 de janeiro de 2026
O ano de 2026 marca o fim de uma era no Brasil. Os orelhões – famosos telefones públicos que chegaram a ser um símbolo nacional – começam a ser retirados definitivamente das ruas de todo o Brasil neste mês.
Segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), 38 mil aparelhos ainda permanecem no País. Quase indispensáveis no passado, os orelhões se tornaram obsoletos com a popularização dos celulares. A retirada começa agora porque, no ano passado, acabaram as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos.
Com o fim dos contratos, Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefonica deixam de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura de telefones públicos.
A extinção dos aparelhos não será imediata em todos os locais. Em janeiro, começa a remoção em massa de carcaças e aparelhos desativados. O processo de retirada já vinha ocorrendo nos últimos anos. Dados da Anatel mostram que, em 2020, o Brasil tinha ainda cerca de 202 mil orelhões nas ruas.
Como contrapartida pela desativação, a Anatel determinou que as empresas devem redirecionar seus recursos para investimentos em redes de banda larga e telefonia móvel, tecnologias que hoje dominam a comunicação no País.
Dados disponibilizados pela agência mostram que mais de 33 mil orelhões estão ativos, enquanto cerca de 4 mil encontram-se em manutenção.
Durante décadas, os orelhões foram essenciais para a comunicação dos brasileiros, especialmente entre os anos 1970 e o começo dos anos 2000. Facilitavam contatos urgentes, ajudavam a construir histórias, serviam como ponto de encontro e, muitas vezes, eram o único meio de falar com alguém fora de casa.
O orelhão surgiu em 1971, criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Naquela época, cabines telefônicas já existiam em outros países, mas a criação da arquiteta, enquanto trabalhava em uma companhia telefônica, se tornou icônica pelo seu design, reproduzido em outros países.
Além de diferente, o formato tinha uma justificativa funcional: a qualidade acústica, diminuindo o ruído na ligação e protegendo quem falava do barulho externo.