Terça-feira, 25 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de agosto de 2026
Se na ficção a extravagante Fábia, de “Quem Ama Cuida”, desfruta do luxo, das compras desenfreadas e de uma vida sem grandes obrigações corporativas, nos bastidores a realidade de sua intérprete, Flávia Alessandra, 52, é o exato oposto.
Conhecida pela entrega em cena, a atriz viveu uma verdadeira maratona para dar vida à personagem na trama de Walcyr Carrasco e Claudia Souto. Com apenas uma semana de intervalo entre o término das gravações da vilã Sandra, em “Êta Mundo Melhor!”, e o início do folhetim do horário nobre, ela enfrentou uma rotina intensa de provas de figurino, mudança radical no cabelo e a criação do famoso “laboratório”.
A distância entre a postura da artista e os valores representados no papel é gigantesca, fato que Flávia encara com humor e leveza, como conta em entrevista à CNN Brasil. “A Fábia é o completo oposto da minha vida e da minha realidade. Eu sou uma pessoa que trabalha para caramba, sem parar, que preza muito pela minha autonomia financeira, pelas minhas decisões e pela minha realização pessoal, porque amo o que faço”, compara.
“Se a Fábia pudesse me dar um conselho de amiga, tenho certeza de que ela olharia para mim e diria: ‘Mona, para um pouco! Vai curtir a vida, vai pegar uma praia, vai viajar! Eu não nasci para trabalhar, nasci para ser herdeira, meu amor!’”, brinca.
Essa busca de Fábia pelo conforto e sofisticação também afeta diretamente o dinamismo do estúdio. Para tornar o cotidiano o mais verossímil e divertido possível, a atriz levou trejeitos e hábitos específicos para a cena, contando com a cumplicidade da equipe de direção e arte.
Um dos destaques fica por conta da mania paulistana de rebatizar todos ao redor com apelidos carinhosos no diminutivo.
“Eu me tornei uma ‘Fábia paulista’ total, passei a chamar todo mundo pelo diminutivo! Foi assim que a gente construiu a família do núcleo: virou Lipe, Cá, Uli e até o ‘vida’. Quando a Carmita entrou em cena, como eu já tinha a Cá, passei a chamá-la de Tatá”, recorda.
A caracterização física e os adereços de cena também viraram uma atração à parte no set. A atriz montou um verdadeiro ambiente de objetos pessoais e manias que traduzem a personalidade frenética da personagem.
“O pessoal da arte é sensacional. Sempre que chego para gravar no meu cenário, eles morrem de rir porque meu kit já está todo lá preparado. Eu peço o pirulito, as gummies, os copos brilhantes para shake e super coffee, o rolinho de jade para skincare e os patches para os olhos. A gente tem toda essa estrutura à disposição para poder brincar e criar as cenas em torno disso”, entrega.
Apesar de viver no ritmo acelerado das gravações e da gestão de seus projetos, Flávia revela que encontrou uma coincidência curiosa entre a ficção e sua vida pessoal.
Recentemente, a atriz pendurou em seu escritório um quadro presenteado por sua filha, Giulia Costa, cuja frase resume perfeitamente a provocação que a própria Fábia faria à sua rotina diária: “Dias de descanso não são dias de descaso”.
“Ficou meses guardado até que finalmente pendurei. A mensagem da Fábia para mim seria exatamente essa: aproveitar mais a vida, porque a vida é uma festa. A diferença é que a minha vida é uma festa, sim, mas com a gente ralando e trabalhando duro com muita saúde”, finaliza.